terça-feira, 27 de agosto de 2013

Pena de Morte ao Recém-Nascidos


Já há algum tempo que tenho o interesse em escrever sobre este tema, mas, por algum motivo, ainda não havia começado. Talvez, eu não houvesse encontrado um título chamativo o suficiente para o meu objetivo. Ah, e falando no título, peço perdão pela agressividade do mesmo, mas cri ser de suma relevância, para que o objetivo de meu texto fosse explícito, desde o início deste.
A redução da maioridade penal. Atualmente, se fala em dezesseis anos. Dizem que, nos Estados Unidos, a maioridade penal é de X. E, da mesma sorte, ouvem-se campanhas desta natureza com os mais agressivos e superficiais métodos: “se você gosta tanto deles, leve um para a sua casa”, ou “tem que matar tudo esses vagabundos; cometem crimes e não acontece nada”, ou qualquer outro comentário que siga essa linha.
Entretanto, eu paro para pensar: se é assim que começa, onde vai parar?
Sim, porque, se estamos interessados em fazer de um menor responsável pelos seus atos, e percebemos que crianças ainda menores cometem crimes, sistematicamente, vamos chegar ao ponto de exigir cadeira elétrica às crianças que não emprestarem o brinquedinho.
Não, não é exagero! É uma breve ilustração! Ou você acha tal sociedade seria impossível?
O que eu quero dizer é que o criminoso não é culpado pelos seus atos. Isso mesmo, não é! Ele é, simplesmente, uma vítima de um sistema ineficiente de locomoção social. Ele nasce em um ambiente hostil, já carregado de pessoas que não tiveram direito a uma educação de qualidade, a saúde básica e a uma estrutura social de apoio. Por este motivo, partiu para a criminalidade como única maneira – embora travestida – de encontrar alguma dignidade, na vida. O crime se torna a única escola em que essas pessoas podem cursar. E, uma criança inserida neste contexto, muito provavelmente, por não conhecer o outro lado da moeda ou, simplesmente, por inocência, seguirá os mesmos passos.
Eu grito, aos quatro ventos, inclusive, que, se eu não tivesse uma estrutura familiar minimamente estruturada, se não tivesse uma educação fundamental, se não tivesse pão na mesa, todos os dias, sem dúvida alguma, também buscaria um meio alternativo para sobreviver. Ou seja, se eu tivesse nascido no mesmo contexto social que os, ditos, marginais nasceram, certamente, eu também seria um criminoso.
Portanto, qual a solução? Reduzir a maioridade penal? Não. Morte a todos os criminosos? Muito menos!
A solução é simples, no papel. Que a educação pública seja adequada, a saúde seja eficiente. Enfim, que o sistema social funcione e proporcione a todo cidadão o que lhe é, por direito: condições de vida! Porque não me restam dúvidas de que qualquer homem – branco, preto, hetero, homo, pobre, rico, germânico ou africano – pode, muito bem, ser um cidadão de bem. E qualquer um dos mesmos, também está sujeito a uma vida criminosa, se for rodeado por um meio em que esta é a única via de levar a vida.

Portanto, meus caros, reduzir a maioridade penal não vai resolver, ao menos que queiramos que os bebês parem de chorar. Aí sim! Mas, caso contrário, estaremos apenas assassinando uma geração, a espera da próxima; criando um ciclo de morte tão vicioso que, muito em breve, não haverá mais um miserável sequer para bater o martelo.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Minha Neve

Acabei de ver a neve cair, em caxias do Sul, depois de quase vinte anos, desde a última experiência.
Entretanto, embora tenha tentado, preferi deletar todos os registros desse dia. Não guardarei foto, ou filmagem, ou qualquer outro documento desta natureza.

Porque, perdoem-me a arrogância, mas essa neve que caiu, assim como o momento, os sentimentos e as lembranças que a mesma acarretou, é algo meu. E meu somente.

Os outros que aproveitem a neve da forma que acharem melhor. Eu prefiro, no entanto, não poluir um símbolo tão puro com outra forma de registro que não seja a própria memória.

E mesmo que amanhã, ao amanhecer, não haja mais resquício algum do fenômeno que se passou, esta noite, não me importarei. Mesmo que demore mais quase vinte anos; não ficarei sentido.
Porque hoje - e hoje, somente - aconteceu. E se manterá assim, até que minhas mais belas memórias se percam pelo universo...

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Boa noite, morte.

“Todos vamos morrer”. Eis, aí uma frase que me deparei, há alguns anos, e que vem me acompanhando, não importa onde eu esteja. Eis aí uma questão a qual nenhum de nós pode escapar. Podemos, muito bem, tentar driblar; adiar, mas não importa: nosso encontro com a senhora morte é certo.
Da mesma forma, os avanços científicos, as descobertas da medicina. Tudo isso nada mais é do que uma forma de amenizar a tensão a qual ficamos diante a impotência, frente nossa finitude. Todos morreremos e, por conseqüência, todos tememos o dia em que morreremos. Talvez, até não tenhamos, diretamente, medo da morte, mas as conseqüências que podem acompanhá-la.
Não nos formarmos. Não ver nossos filhos crescerem. Não colhermos os frutos de nossos estudos e ficarmos ricos, ou famosos, ou ambos.
Algum fragmento de medo, ainda que limitado, existe, quando o assunto é a nossa morte. Somos, todos os dias, vulneráveis e deparados com nossa fragilidade. A sociedade, por conseqüência de suas diretrizes, nos posicionou em um campo em que ficamos, ao mesmo tempo, hábeis a usufruirmos melhor nossa longevidade, e insignificantes, frente ao poder crescente desenfreado.
A revolução das indústrias farmacêuticas, o conhecimento anatômico, as pesquisas biológicas – eis as formas as quais nos permitem alongar nossa estadia mundana. Entretanto, neste mesmo panorama histórico, estamos diante de bambas atômicas, veículos super potentes, poderes naturais. E isso me faz recordar de uma frase da sábia personagem dos quadrinhos, Mafalda, quando sua mãe responde que ainda não proibiram as armas nucleares.
Ela disse: “Seria lindo acordar um dia e saber que nossa vida depende só de nós”.
Vou além!
Voitaire, artista iluminista Frances, certa vez, nos disse: “Nós nascemos sozinhos. Nós vivemos sozinhos. Nós morremos sozinhos. E qualquer coisa neste intervalo que possa nos dar a ilusão de que não estamos sós, nós nos agarramos a ela.” E isso faz, inclusive, parecer que todo o resto é, somente, uma ilusão. Que crescemos segundo um modelo social de estudo, graduação, trabalho, uma cervejinha, no final de semana, um casamento estável, uma estrutura familiar,... e basta! Como se não nos restasse nada além do que ser apenas mais um dos cento e tantos bilhões de seres humanos que já habitaram nosso planeta.
Mais um que nasceu, no anonimato, e morreu, para ser esquecido. Mais um que, como disse o dramaturgo, nasceu sozinho e morreu sozinho?

Então, qual é o sentido, afinal?


PS: peço desculpas pela tensão do texto. Não tive interesse de passar mensagem alguma. Foi somente um desabafo. Tanto faz, pra mim, que ele tenha ficado sem estrutura e esteticamente feio. Afinal de contas, eu não posso anexar moral, nessa história. Afinal de contas, eu também não sei qual é.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Quero Teu Bem

Triste é o bem me quer
Que, quando não me quer,
Arranca quantas pétalas quiser
De todas as flores que puder.

Triste é o passarinho
Que, quando deixa o seu ninho,
E perde o seu caminho
Sempre entristecido, está sozinho.

Triste são as estrelas
Que, apesar de sempre tão belas,
São apenas vistas, das janelas,
Como singelas sentinelas.

Mas feliz é este encanto
Que, neste suspiro e neste pranto,
Quando me deparo com teu canto

Te idolatro tanto quanto.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Velho. E pronto!

Com base no texto e na experiência vivida pela minha namorada Stefany Godoy, gostaria de expressar alguns pontos acerca dos velhos.
Antes de tudo, moralistas de plantão: leiam o texto inteiro, antes de qualquer crítica equivocada. Refiro-me as pessoas com mais idade por velhos. Simples assim. Não tenho toque de sensibilidade para dizer “idosos” ou “melhor idade”. É velho, e pronto. E isso não é uma ofensa. Na verdade, é só uma denominação, sem nada a esconder. Qual o contrário de “claro”? Escuro. Qual o contrário de “branco”? Preto. Não precisa criar intriga onde não há. Ou, como diria meu pai, colocar chifre em cabeça de cavalo.
Pois bem, vamos ao que importa:
Entendo que os mais velhos devem ser respeitados pela sua experiência de vida e sua longa e exaustiva estrada. A mídia nos mostra os mais velhos como pessoas indefesas e, antes de qualquer qualidade, sábios. Nos diz, da mesma forma, que devemos respeitá-los, amá-los, ouvi-los e blá blá blá. Todavia, eu não mudo o discurso: IDOSOS DEVEM MERECER O RESPEITO OS QUAIS EXIGEM!
Porque podem haver velhos muito sábios, corretos e admiráveis, mas também existem - sim! - velhos sem vergonha, mal educados e de péssimo caráter. E andando aos montes. Não são todos (nem ma maioria), mas existem.

E é com este ponto como base que direciono minha “crítica” – se é que posso assim denominá-la - para questão das passagens de ônibus. Eu sempre me faço o mesmo questionamento: por que um idoso merece passe livre e um estudante de ensino superior não?
Deixo claro, novamente, antes que os moralistas venham me crucificar: não sou contra a isenção do valor das passagens aos idosos, mas não consigo aceitar que eles tenham direitos superiores aos estudantes.
Afinal de contas, sejamos exatos - e racionais, acima de tudo: por mais que os velhos tenham feito aquilo e acolá pelos nossos tempos; por mais que eles tenham traçado toda uma vida e estejam mais debilitados que a maioria das pessoas, o futuro de uma civilização é - e sempre será - os jovens estudantes.
Estudantes, inclusive, que tratarão dos velhos, em breve. Que descobriram formas de aliviar a dor, de prolongar a vida, de manter a sanidade,... Pois bem, jovens que farão, da vida dos velhos, vidas melhores.


Então, por que diabos uma sociedade deve dar prioridade aquele que já encaminhou o seu legado e já plantou suas sementes, frente aquele que tem ainda todo um caminho a percorrer?