É tão linda aquela mecha negra de cabelo caindo por tua pele morena. Enquanto o piso parece que treme, a cada pouco que um ônibus cruza a plataforma sobre nossas cabeças, eu te miro sem resistência; sem vergonha. Vislumbro-te, mais uma vez. Sei que você já percebeu meu encanto precoce. Mas não há muito que eu possa fazer, frente ao seu embaraço. Uma vez que tu és tão linda que até invento uma licença poética para te olhar sem receio. E - neste literário e fantasioso frenezi - eu me reinvento, todas as vezes que encaro o mundo - e percebo um espelho - no brilho da íris dos teus olhos.
Mas eis que me deparo com o inglório e corrosivo pesadelo do poeta. E me pergunto porque tu não és como a Gioconda, de Leonardo da Vinci, para que eu pudesse te admirar - e me perder - no misto de seriedade e alegria dos teus lábios. E que a tua majestade fosse inabalável, como um ponto de loucura, num deserto de lucidez.
Porque quando parei para te mirar, uma vez mais simplesmente o vazio me olhou de volta, num comprimento sarcástico e perverso.
Todavia, pelo outro lado da moeda - mas da mesma sorte, este impulso encantado era, igualmente, maligno; visto que, assim que nossos olhos ensaiaram um "Olá" demorado e silencioso, eu já te interpretava minha. Foi, num estalo de instante - um intervalo de espaço, como se minha aurea se anunciasse prepotente e territorialista, tal qual a ingênua prole que não sabe dividir o amor de seus pais.
Talvez, eu nunca mais te veja. Talvez, seja melhor assim. Também porque, embora eu pudesse te escrever mais mil e uma páginas de louvores; que eu lhe proporcionasse quarenta dias e quarenta noites de paixão, talvez, a beleza só possa se manter intacta, se guardada nos porões da memória. Porque, da mesma sorte que não sei a destinatária do "Soneto de Fidelidade", de Vinicius de Morais; nem a musa inspiradora para a Julieta, de Willian Shakespeare, também não sei sobre quais espaços tu te encontra. Nem tuas cores preferidas. Nem teus amores passados. Tampouco saberia como me dirigir a ti.
Todavia, estando eu na terra do inesquecível Poeta das Coisas Simples, Lembrar-te-ei passarinho; que me amou com seu canto passageiro e leve. E partiu sem cerimônias; sem despedidas; num piscar de olhos.
Com o tempo, tantos outros te amarão, tanto quanto - ou mais que eu. Com o srguir dos dias, eu também amarei tantas outras. E você será uma página amarelada; uma memória fragmentada. Apenas um traço para interpretar a beleza; um olhar para me reinventar. E assim, nesta transição de palavras; nesta orgia gramatical sem espaço para regra, a realidade tratará de manter tua beleza pura e sublime, ainda que o resto do mundo - e eu - nos esqueçamos de ti.
Pois, devidas variáveis e proporções deste imaturo amante e incorrigível poeta, tu foste, neste dia, obra de arte. E, para sempre, passarinho.
Mas eis que me deparo com o inglório e corrosivo pesadelo do poeta. E me pergunto porque tu não és como a Gioconda, de Leonardo da Vinci, para que eu pudesse te admirar - e me perder - no misto de seriedade e alegria dos teus lábios. E que a tua majestade fosse inabalável, como um ponto de loucura, num deserto de lucidez.
Porque quando parei para te mirar, uma vez mais simplesmente o vazio me olhou de volta, num comprimento sarcástico e perverso.
Todavia, pelo outro lado da moeda - mas da mesma sorte, este impulso encantado era, igualmente, maligno; visto que, assim que nossos olhos ensaiaram um "Olá" demorado e silencioso, eu já te interpretava minha. Foi, num estalo de instante - um intervalo de espaço, como se minha aurea se anunciasse prepotente e territorialista, tal qual a ingênua prole que não sabe dividir o amor de seus pais.
Talvez, eu nunca mais te veja. Talvez, seja melhor assim. Também porque, embora eu pudesse te escrever mais mil e uma páginas de louvores; que eu lhe proporcionasse quarenta dias e quarenta noites de paixão, talvez, a beleza só possa se manter intacta, se guardada nos porões da memória. Porque, da mesma sorte que não sei a destinatária do "Soneto de Fidelidade", de Vinicius de Morais; nem a musa inspiradora para a Julieta, de Willian Shakespeare, também não sei sobre quais espaços tu te encontra. Nem tuas cores preferidas. Nem teus amores passados. Tampouco saberia como me dirigir a ti.
Todavia, estando eu na terra do inesquecível Poeta das Coisas Simples, Lembrar-te-ei passarinho; que me amou com seu canto passageiro e leve. E partiu sem cerimônias; sem despedidas; num piscar de olhos.
Com o tempo, tantos outros te amarão, tanto quanto - ou mais que eu. Com o srguir dos dias, eu também amarei tantas outras. E você será uma página amarelada; uma memória fragmentada. Apenas um traço para interpretar a beleza; um olhar para me reinventar. E assim, nesta transição de palavras; nesta orgia gramatical sem espaço para regra, a realidade tratará de manter tua beleza pura e sublime, ainda que o resto do mundo - e eu - nos esqueçamos de ti.
Pois, devidas variáveis e proporções deste imaturo amante e incorrigível poeta, tu foste, neste dia, obra de arte. E, para sempre, passarinho.

Nenhum comentário:
Postar um comentário