“Todos vamos morrer”. Eis, aí uma frase que me deparei, há alguns
anos, e que vem me acompanhando, não importa onde eu esteja. Eis aí uma questão
a qual nenhum de nós pode escapar. Podemos, muito bem, tentar driblar; adiar,
mas não importa: nosso encontro com a senhora morte é certo.
Da mesma forma, os avanços científicos, as descobertas da medicina.
Tudo isso nada mais é do que uma forma de amenizar a tensão a qual ficamos
diante a impotência, frente nossa finitude. Todos morreremos e, por conseqüência,
todos tememos o dia em que morreremos. Talvez, até não tenhamos, diretamente,
medo da morte, mas as conseqüências que podem acompanhá-la.
Não nos formarmos. Não ver nossos filhos crescerem. Não colhermos os
frutos de nossos estudos e ficarmos ricos, ou famosos, ou ambos.
Algum fragmento de medo, ainda que limitado, existe, quando o assunto
é a nossa morte. Somos, todos os dias, vulneráveis e deparados com nossa
fragilidade. A sociedade, por conseqüência de suas diretrizes, nos posicionou
em um campo em que ficamos, ao mesmo tempo, hábeis a usufruirmos melhor nossa
longevidade, e insignificantes, frente ao poder crescente desenfreado.
A revolução das indústrias farmacêuticas, o conhecimento anatômico, as
pesquisas biológicas – eis as formas as quais nos permitem alongar nossa
estadia mundana. Entretanto, neste mesmo panorama histórico, estamos diante de
bambas atômicas, veículos super potentes, poderes naturais. E isso me faz
recordar de uma frase da sábia personagem dos quadrinhos, Mafalda, quando sua
mãe responde que ainda não proibiram as armas nucleares.
Ela disse: “Seria lindo acordar um dia e saber que nossa vida depende
só de nós”.
Vou além!
Voitaire, artista iluminista Frances, certa vez, nos disse: “Nós
nascemos sozinhos. Nós vivemos sozinhos. Nós morremos sozinhos. E qualquer
coisa neste intervalo que possa nos dar a ilusão de que não estamos sós, nós
nos agarramos a ela.” E isso faz, inclusive, parecer que todo o resto é,
somente, uma ilusão. Que crescemos segundo um modelo social de estudo, graduação,
trabalho, uma cervejinha, no final de semana, um casamento estável, uma
estrutura familiar,... e basta! Como se não nos restasse nada além do que ser
apenas mais um dos cento e tantos bilhões de seres humanos que já habitaram
nosso planeta.
Mais um que nasceu, no anonimato, e morreu, para ser esquecido. Mais
um que, como disse o dramaturgo, nasceu sozinho e morreu sozinho?
Então, qual é o sentido, afinal?
PS: peço desculpas pela tensão do texto. Não tive interesse de passar
mensagem alguma. Foi somente um desabafo. Tanto faz, pra mim, que ele tenha
ficado sem estrutura e esteticamente feio. Afinal de contas, eu não posso
anexar moral, nessa história. Afinal de contas, eu também não sei qual é.

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