quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Parte das Minhas Noites - E de Meus Sonhos

Por estes cachos que quase te cobrem a fase, eu perco os sentidos; perco a noção do tempo e espaço; eu perco o juízo. E deliro, todas as vezes que você passa, com seu estilo extravagante; extrapolado; extraordinário.

Por este sorriso só seu, que faz tremer o seu nariz, eu fico em transe; como se o mundo parasse; como se o dia renascesse; como se o resto sumisse. E me encanto, todos os dias que sou presenteado pela troca de nossos olhares, tão singelo; tão sincero; tão sensato.

Por estas palavras amigas que te permeiam, eu disfarço cada um dos meus desejos; cada um de meus sonhos; cada um dos meus anelos. E fragmento, por cada traço delineado de seu rosto e, desta sorte, assumo uma realidade quase irreal; meramente fantasiosa; tão fictícia.

Mas, por cada um destes dias, eu assumo que, no dia seguinte, eu poderei reassumir estes paços, ainda que não haja o perfume deixado pela sua presença; nem os seus cabelos jogados ao léu; nem o seu sorriso a iluminar a quase madrugada. E, por isso, eu adormeço tranquilo; sereno; em paz, sabendo que, em meus sonhos, alguns ingredientes da realidade se farão presentes...

... graças a você.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O que Eu Mais Quero

Eu quero olhar nos teus olhos; quero perder a noção.
Quero dizer que te adoro; sem ligar para a razão.
Eu quero te fazer minha; e te ver sempre sorrir.
E eu quero te deixar sozinha, só para, depois, te possuir.
Eu quero te levar pra minha casa; inventar um lanche qualquer.
Eu quero te puxar pelo braço, sem dizer uma palavra, sequer.
Quero fechar os teus olhos, e te arrastar até o meu quarto.
Quero te fazer um carinho, até o pulso sentir-se farto.
Quero sentir o teu cheiro; quer colar no teu corpo.
Eu quero ouvir teus gemidos; te fazer o meu porto.
Eu quero te fazer perder o juízo; e sentir seus arranhões.
Quero delirar pelo orgasmo; nossos corpos em contrações.

E quero estar ao seu lado, quando o sol despertar;
E te ver despertando, sorrir para ti e te beijar.

Do Outro Lado Da Mesa

É do seu sorriso inquietante
Que, na noite, se exalta;
Do teu olha penetrante,
Que eu mais sinto falta.

E, agora, tão distante,
Miro suas expressões,
Em pensamentos errantes
De tantas tentações.

Pois me comovi, sinceramente,
Nesta destreza - à meu espanto
E me perdi, humildemente,
Em sua beleza - todo seu encanto.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Keep the blues on!

Ontem à noite, eu fotografei uma bela mulher. Só para reviver aquele momento, posteriormente. Arrependi-me e exclui tal registro, porque temia arruinar a magia daquele lapso de instante, de quando ela cruzou por mim e trocamos olhares.

Ontem à noite, eu deixei a chuva me inundar. Nadei sobre as poças e chutei lama, espalhando gotas de chuva misturadas a terra para todos os lados e para toda minha roupa. Depois, arrependi-me, porque o curso daquela água se mantinha ali, como se nada tivesse acontecido.

Ontem à noite, eu colaborei com a pipoca de uma desconhecida. Só para observar sua expressão retraída e hesitante, ao aceitar minha prestação. Depois, arrependi-me, simplesmente por não ter sido um comerciante completo e solicitado, em troca, o seu nome.

Ontem à noite, eu investi um bom tempo para filosofar, sem pretensões, com um bom amigo. Disse-lhe sobre todos meus medos e meus anseios. Arrependi-me, depois, por não ter sido humilde o suficiente para ouvir os seus.

Ontem à noite, eu me entreguei a um bom e velho Blues que tocava, em alguns palcos laterais. Aceitei cada acorde da maioria das musicas e, disso, fiz uma poesia silenciosa, em meus pensamentos. Arrependi-me, posteriormente, por não ter aberto os meus olhos e observado a paixão pela qual os músicos expunham suas artes.

Hoje à noite, eu irei ao mesmo local. Verei, talvez, a mesma bela mulher; banhar-me-ei na mesma chuva. Colaborarei mais uma pipoca a um desconhecido. Encontrarei o mesmo amigo. Ouvirei o mesmo bom e velho blues.
E, talvez, esta noite, eu cometa os mesmos erros. E, amanhã, talvez me arrependa, mais uma vez.
E viverei este ciclo de paixões de arrependimentos.
Porque não tenho interesse algum em acertar, todos os dias. Porque, com paixões, eu sou como um descascador de batatas: não corto fininho; eu arranco pedaços.

Contando que o blues continue a tocar, todos os dias, para que eu possa errar – e amar – um dia a mais.

domingo, 17 de novembro de 2013

O Deserto

Existem tantos gostos
Para o mesmo disfarce
E tantos mil rostos
E outras mil faces.

Já não há mais razão
Quando se olha, de perto,
Que, ao invés da multidão,
Há – somente – um deserto.

O belo luar ilumina
E parece que encanta
O desejo fascina
Mas também não adianta.

E, aos poucos,
Sem – sequer – percebermos
Sobram – somente – os loucos
Que já não reconhecemos.

E a madrugada vai embora
Sem deixar uma despedida
E fingimos que é hora
De seguirmos com a vida.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Somente Hoje... Somente Amanhã...

Era início da noite. O som metálico extraído da chave, na fechadura, simbolizava o trancafiar de dois corpos, do resto do mundo. E, a partir daquele derradeiro instante; aquele divisor de águas, não havia mais nada que pudesse conter o espírito humano que pulsava, dentro daqueles peitos.

O anseio por um beijo. E nada mais.

Na tela ofuscada da televisão, talvez, um metragem exercia seu papel de entretenimento. Inglória função, visto que nenhum daqueles dois corpos tinham ciência de algo, naquele espaço. Somente o toque do outro. E, por esta mesma sorte, não havia nenhum estímulo externo que pudesse romper com o desejo que emanava daqueles lábios colados.

Um abraço quente. E nada mais.

E assim o parecia. Dois corpos fundidos, como se - tão enlouquecidos pelo desejo - já não pudessem mais cumprir com as leis da física e da matéria. Um olho no olho, como se aquele carinho viesse de há muito. Um toque, na pele, com a ponta dos dedos, como se aquele afago fosse durar a eternidade. Um suspiro ofegante. Um beijo no pescoço.

Uma peça de roupa a menos. E nada mais.

Então, a paixão.
Não a necessidade de possuir; de tomar. Não o compromisso que corre as ruas, diariamente. Mas o apego pelo outro; daqueles rostos sorridentes. De cada um, dos dois - e dos dois, como sendo um. E, sim!, a mera força de ficarem juntos; de cumprir com suas vontades e, principalmente, de perceberem o outro feliz. E, dessa felicidade alheia, construir a própria ventura.

Por um dia a mais. E nada a mais...

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Sem Palavras

Foi tão intenso. Tão denso.
Mesmo que tenha sido inconsequente
Foi tão cativante e envolvente.

Foi imprudente. Foi inesperado
Mas, mesmo não estando ciente;
Não me importa - estava ao seu lado.

Senti-me bem
Como nenhum outro dia
Com nenhum outro alguém
Nesta noite tão fria.

E você, com seu sorriso perfeito,
Deixou-me, assim, sem jeito.

E aquela despedida;
Aquele misto de alvoroço
A observar sua partida
Com aquele beijo, no pescoço.

Foi tão enlouquecedor
Que bem parecia
O surgir de um beija-flor
No recando da maresia.

E, nestes beijos; vontades tão loucas
Que me deixaram, assim, com água na boca!

domingo, 10 de novembro de 2013

A Noite D

Era alta madrugada. A noite se mostrava envolvente. Todavia, eu estava deslocado. Deslocado. Deslocado. Como um passageiro de avião que mira o chão, aos seus pés, sem imaginar que aquele ainda era o seu mundo.

Virei-me. Dei as costas para este mesmo mundo. Deixei que as vozes se distanciassem. Distantes. Distantes. Como se aquela noite deixasse de ser real. Como se eu fosse um mero expectador. Assistindo a tudo, do lado de fora. Daquele espaço que mesclava entre vozes e batidas. Brisas e pingos. Goles e tragadas.

Segurei - com unhas e dentes; pele o osso - uma memória contida. Daquela conversa despretensiosa. Despretensiosa. Despretensiosa. Um rosto delirante. Rascunhado, como se fosse belo demais para ser passado a limpo. E aquele par de longas pernas, em harmonia com a madrugada. Agarrei-me, assim que aquelas formas - e traços, e gestos - se fizeram material. Amarrei cada minuto daquela longa - e demorada - fila.

Depois de alguns segundos. Alguns fragmentos de instantes. Alguns ventos de madrugada metamorfoseando-se em dia. Dia. Dia. Eu me vi. Débil e vislumbrado. Em um sorriso sem antecedentes. Sem conter-me.

Talvez, até, estivesse sendo igualmente assistido.

Portanto, virei-me! Encarei o espaço com minhas tantas caras fissuradas e tantas bocas determinadas. Destemidas. Desteminas. Iria - enfim! - atrás daquele rosto retangular de Afrodite. Correria - até o fim do mundo; até o final da madrugada - buscando aqueles lábios contidos da Vênus de Milo. Aquele sorriso formoso de Helena de Tróia. Daqueles olhos delineados, como os da própria Cleópatra.

Ainda que eu não soubesse o seu nome, sequer.

Mas, quando cheguei. E por tantas vezes vaguei. De corredor em corredor. De caminhos destinados. Destino. Destino. Simplesmente, encontrei ninguém, senão meu rosto, suado e febril, de frente ao espelho sujo do banheiro.

E ela já havia partido.

E eu, vacilante. Errante, como um derrotando, tornando de batalha. Fechei meus olhos, esperando acabar aquele tempo. Jurando para que tudo fosse um sonho. E que tudo estivesse normal. E ela talvez, nem existisse.

Mas eu estava errado. E havia perdido. Aquele dia de. D. D.

sábado, 9 de novembro de 2013

Perdido, Naquele Encanto

E, aquela noite, se apossou de mim
Foi tão lindo que não hesitei em dizer que sim
Mas me via, ainda assim,
Como um estranho, olhando de fora.

E me perdi - era meu fim
Quando percebi aquele perfume de jasmim
E aquele sorriso de um anjo querubim
Estava congelado, naquele olhar de aurora.

Naqueles cachos, eu me perdi
Que nem reparei, o quão bobo sorri
E, naqueles olhos, eu me encantei
Assim, tão doce, que eu nem reparei.

Quem sabe, então
– Não que necessite de razão –
Mas amanhã, talvez,
Eu torne a me perder
– Mesmo que sem querer –
Naquela insensatez.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Madrugada Abafada

Era noite adentro – meu rosto abatido
Meus olhos fervendo – meu desejo perdido.

Foi quando, assim – sem pretensão,
E diante de mim – eu tive uma visão.

Era tão doce e bela;
Com um rosto de porcelana
Com picantes tons de aquarela
De um afável final de semana.

E era tão linda – era não fascinante
Que seu sorriso ainda – se fazia distante.

Mas ela não me olhou
Eu busquei, insistentemente
E, daqueles olhos, o que restou

Foi a lembrança de um poente.

domingo, 3 de novembro de 2013

Não me perturbe
Não me atrapalhe
E também não jogue
Pedras pelo meu caminho.

Porque eu só quero estar sozinho.

Portanto, não perceba
Se eu estiver indisposto
Amargurado
E não aceitar seu carinho.

Porque eu quero, somente, ficar sozinho.

Não me importa também
Se as margens forem fundas
Se o caminho for árduo
E se a rosa tiver espinho.

Justamente, porque só quero estar sozinho.

E não me importa, então
Os que passaram
Os que passarão
E os passarinhos.


Porque, por favor, eu só quero ficar sozinho.