segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O Triste Fim Daquele Sorriso

Meus dias de criança
Eram tomados de confiança
Eu tinha um sorriso leve
Mas pouco restou;
Sonhava brincar na neve
Mas tudo isso acabou
Como se fosse uma dança.

Em meus dias de criança
Quando as nuvens eram de cetim
E era tudo uma festança
Como acampamentos no jardim;
Mas, o tempo passou
O sorriso se apagou
E tudo isso teve fim.

Em meus dias de criança
Quando eu podia colorir
Cada gota de esperança
Que me fazia sorrir
O mundo era de aquarela
Um luar, numa janela
E não havia nada a partir.

Em meus dias de outrora,
– Há muito tempo; que nem lembro –
Quanto todo dia era autora
E nem havia mal sentimento
Eu era um apaixonado
Abarrotado; sem cuidado.

E esta lembrança de outrem
Onde perdi este meu eu
Que seja lá onde se perdeu
Não esteja tão aquém
A que eu possa perder também.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A Promessa de Uma Poesia

O que foi aquilo? Um olhar repentino; uma noite que se esvaia; um ideal de menino ou uma promessa de poesia?

Recordo daquele sorriso; que cortava, feito navalha. Recordo de um fragmento de paraíso; de um encanto tão preciso, se a memória não me falha.

E, entre caras de "muy Borrachos e Loucos", o teu grito abafado, e meu suspiro levemente rouco; eu me senti hesitante - por um instante - quando estive ao teu lado.

Porque, em cada um dos seus olhares - que eu imaginei ter avistado milhares; e em cada um dos seus dizeres - que inundavam pensamentos com saberes, eu me percebi neste recanto; neste misto de delírio com encanto; que presentou o jardim com um lírio e renovou, nos pássaros, seu canto.

E, em contrapartida, seu rosto delineado; seu sorriso leve e acuado; houve um vento que elucida, e disse, ao meu ouvido calado; como uma batida, que você estava ao meu lado. Para tanto, neste delírio; este encanto, te avistar foi mais que promessa; foi um anelo que não cessa.
E foi além do desejo; do teu toque e do teu beijo. Foi muito além do prazer; de uma noite para se esquecer. Foi a ausência de deveres e dizeres; como palavra que desliza, mas sem simpatia; um olhar que não frisa, mas ameaça uma noite nada fria.

E uma lembrança que se eterniza, muito além da poesia.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

"Please Forgive Me"

Eu te peço perdão,
Talvez sem motivo; sem contexto; sem razão.
Mas - ainda assim - eu te peço perdão.

Perdão, por invadir seu paraíso
E, por vezes, ter agido como um louco;
Perdão, por lhe ter dedicados tantos sorrisos
E lhe entregue tão poucos.

Também, por aquele (quase) banho de mar
Pelo meu desejo; por aquela ondinha
Também, por não mais me recordar
Se era noite, madrugada ou dia.

Perdão, por aquele céu; aquele universo
E - também - por ter sido tão inconsequente;
Perdão, por me lembrar de ti em cada verso
E por não tirar mais você da minha mente.

Mas perdão, acima de tudo
Pelo vício gritante; pelo anelo mudo
Pelo pedido vacilante
Pelo andar errante
E pelo meu palpitar agudo.

E perdão, meramente por mim
Por esta poesia entonada
A cargo de nada
Que entregaria, por fim,
Mas que deixei pela estrada.

E pelo desejo, que entoa as batidas do coração
Eu não me arrependo, mas ainda te peço perdão.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Feliz Ano Novo!

Era primeiro de ano. A noite abafada se mostrava sincera. Todavia, naquele meu andar errante, persistia a incerteza. Era meados da madrugada e, por onde quer que dirigisse minha visão, não poderia encontrar um resquício, sequer, de precisão; de um calor acolhedor.
Ainda assim, como se o mundo fosse um quadro impressionista, em meio a débil negritude, fui sublimado – surpreendido – por fragmentos de uma eternidade, E era, somente, início de ano. E foi, simplesmente, a primeira visão. E foi, peculiarmente, tão belo. E preciso. E autêntico. Tanto que não tardou para que o céu sorrisse, em um brilho rubro/alaranjado de algodão doce.
Imprevisível que sou – um impulsivo abismal; um romancista irremissível – fui levado pelos encantos daqueles sorrisos tão leves e, quando dei por mim, a metáfora se fez matéria e meu corpo emergiu em um oceano cálido e cativante. E, para tanto, já não havia mais resistência em minha entrega, uma vez que destronei uma barricada de restos sociais a cada transição entre o vazio do fundo das águas salgadas e a emergência para um mundo novo. Era novo ano, De novos sonhos. De novas paixões. E de novos encantos.
Destarte, talvez, esta verbalização plebéia tenha habilidade para caracterizar boa parte dos meus sete pedidos, para a superstição popular de pular as sete ondinhas. Mas, desta sorte, senti-me em ainda maior plenitude, quando quebrei com a regra geral das simpatias e ratifiquei meu anelo por aquela que, dos abraços que trazia comigo, tantos eram dela, mas nunca havia entregue.
Já encharcado, em uma quebra de instante em que a noite começava a dar lugar ao dia, percebi-me tão ligado àquele canto – naquele encanto – que a Iris de seus olhos se aventurava nos meus, fazendo parte de mês medos e segredos; dores e amores. Uma curta fissura de vida tão densa – e intensa – que fundiu tempo e espaço. E fez desta madrugada impar. E metamorfoseou o impreciso em único. E fez o mundo parar. E tornou divino cada abraço. E imortalizou cada sorriso.
Por fim, quando o sol assumiu seu trono de astro-rei, o mesmo emanou um brilho tão intenso e envolvente, tal qual as poesias que aquelas horas escreviam, sem palavra alguma. E, naquele amanhecer, a fotografia se fez tão linda que gosto de acreditar que a mesma prestava uma solene – e emocionada – homenagem àqueles momentos inesquecíveis. E, ainda mais, carrego a ciência de aquele nascer do sol ser, meramente, mais um, mas que recebeu a película de fascinantes – e encantadores – companhia que o fez memorável.

Tanto que, ainda que lhe déssemos as costas, aquele primeiro de ano sabia que fizera morada em mim, Por horas que a metáfora se fez matéria; pedidos se cumpriram; mágicos fracos faciais se delinearam; um desencontro deu vida a um sonho e um instante se fez eterno. Por um sol que aprendeu a sorrir. Por cada companhia feita – e perfeita. Por um ano que estava por vir.