Eu a observo adormecer em minha mente. Um tanto sublime - levemente inconsequente. Um contraponto que desponto com o astro solar; que brota majestoso, sem sequer se apresentar. Que assume sua forma, por entre minhas entranhas - e se desforma - no alto das montanhas.
Meu corpo lateja, nesta sincronia de músculos cansados e sinapses aceleradas. Nesta maestria de experimentos abismados e vivências alteradas. E essa sua maneira de sorrir; de subtrair qualquer dor e medo - de esvair todo horror do mais sombrio segredo, é uma menina que dança de olhos fechados, que rompe com suas fobias, como barbantes atados.
Eu cruzo a ponta dos meus dedos, como se tudo isso fosse perfeito; como se não houvesse defeito. E faço de conta que ainda é cedo. É como se o real e a ilusão se fundissem; como se barreiras sociais não existissem. E como se a vida fosse um divertido brinquedo. A profundidade ensaia passos com as cores. A poesia é mais pura, em todos os seus princípios e louvores. A beleza é mais natural, na inocência de cada um dos seus antigos amores.
Os traços do seu corpo são tão divinos que beiram o inconcebível. Eu desejaria que esse toque nunca tivesse fim; que eu pudesse massagear o seu gosto, num aroma de jasmim - e que tudo isso se mantivesse possível. Que tua voz prosseguisse em minha pele, como o canto de um querubim; e que este beijo se sele, por fim, neste teu ar de percepção sensível.
Mas o sol se torna absoluto. Com ele, você dá seu adeus. É um tanto amedrontador, mas astuto; a forma que a luz me faz me perder nestes breus. A memória já conta esta história de danças - num ingênuo temor de perder tudo, nas lembranças; nestes museus. Sabendo que, enquanto você adormece, estes sonhos já são tão meus.

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