sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Perdição Total





Quando despertou (finalmente), depois de (imperceptíveis) anos sob um coma profundo, deparou-se com um mundo dominado por distorcidas (patéticas) variações da humanidade que (um dia) presentearam este solo com suas (já esquecidas) poesias.


A riqueza, outrora nas mãos de ícones de gerações, agora (por tremenda infelicidade) era distribuído (igualmente) entre a escória (pútrida) social.
Os valores,
 (os mesmos) que um dia cumpriam seu (louvável) papel frente a demanda pulsional, estavam (sem misericórdia) jogados às traças; sem espaço (algum) no convívio humano.

Vivia-se, como nunca antes se viu, um quadro (deprimente) do apogeu das misérias cognitivas (e, por consequência, morais).

Sua esperança (veja que inocência) seguiu por algumas ruas (por alguns minutos).
(Mas) por fim, serrou os olhos (avisou o abismo) e, naquela generalização da imundícia dos asnos, ele (sem dizer uma palavra) deu meia volta, tornou ao seu berço e (inconformado) antepôs o desejo de jogar-se (novamente) na escuridão de sua catatonia.
No coma (pelo menos) a (pseudo)arte não era renovada à cada nova frustração da poesia.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Princesa Sempre Tão Bela


Sou (em alto grau) um errante;
Uma (amedrontada) expressão da (ócio)criatividade.
Deste, não me vale (portanto) qualquer expressão humana. Se não, um sorriso.
 
Um sorriso (ah, que tamanha beleza) contornado por um par de (pequenas) maças no alto das (rosadas) bochechas.
Um contorno (devidamente detalhado) às bases de um olhar sincero (e profundo).
 
Deste fascínio (que leio, instrutivo, de amor), vivo cada pétala reposta à roseira. E não enfrento (portanto) deste vínculo; deste laço, como um compromisso.
Encaro-o (unicamente) tal qual um passarinho que (mesmo em plena liberdade), todos dias (religiosamente), torna às janelas, no alto daquela torre do castelo, somente para (admirar)  a sua amada, sempre tão bela, e compartilhar de seu canto, com o encanto da princesa.     

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Inserção


Vivo (tão intenso e constante) nesta perdição, que tantos lapsos de delírios se fizeram minha realidade. Acordo. Desperto, ainda que hesitante. Vago (sem destino) pelos móveis, moradas e mundos. Busco algo de sincero (mesmo que irreal) em meio a este oceano de desalento.
E, se este for (apenas) mais um projétil de existência que eu criei? O quanto, então, me afasto dos travessões limítrofes do ser?
As notas da literatura e as páginas musicais (ou algo assim) me aproximam desta realidade – ou deste desvairar (tanto faz). Mesmo assim, veja que irônico (ou trágico) derradeiro. Ainda que a arte abra-me portas ao inimaginável (leia-se, real), eu persisto como uma presença indesejada, abrigado pelo frio do inverno, espiando (do lado de fora) uma família aconchegada em frente à lareira. E (até isso) me parece banal.
O quanto (destarte) eu vivo, então? Se as páginas e os acordes (e a taça de café) me parecem tão reais?
- Está acordado? – alguém me pergunta.
E é (deveras) difícil encontrar uma resposta plausível.
- Não tenho certeza.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Fórmula Para O Sucesso


Amanheceu um belo dia lá fora e, antes mesmo que você desperte, os ventos do sucesso já estão soprando ao seu favor. Os pássaros cantam. E é hora de acompanhar o acorde de seus cantos.
Por isso, levante; siga em frente!
Vá até o parque, sente-se sob uma árvore e leia um belo romance, cante uma canção alegre; elogie as pessoas que passam por você.
O tempo é agora.
O local é aqui.
O sol que acabou de nascer, ele foi presenteado a você. Ele nunca mais voltará; nunca mais nascerá o mesmo. Por isso, se liberte das correntes que lhe prendem ao passado e das viseiras que lhe focam somente o futuro.
Viva o hoje!

Depois, pegue toda esta filosofia barata; esta ideologia sem fundamentação e propósito, anexe a um nome fictício de origem americanizada, ou russa, ou alemã, e jogue-a, toda, no lixo... ou espalhe por suas redes sociais e aguarde a (patética) grande massa espalhar estes restos de excrementos de cognição humana.

Eis a fórmula para o sucesso.
(Infelizmente)

domingo, 26 de agosto de 2012

Tormenta

       Eu me faço pedra, em meio à tanta vida.
O acorde segue pulsante; segue queimando a poesia.
Eu percebo, mesmo sem querer, os gritos que se escondem nestes silêncios.

É alta madrugada e, nos rostos inertes em sono, a inquitude ainda predomina.
Ainda que o travesseiro permita-lhes descansar, o quão essas mentes estão amedrontadas, entristecidas, amordaçadas e esquecidas?

Fecho meus olhos, também. Mas não para dormir. Quero, deveras, perceber o silêncio.
E, se não há ninguém neste espaço vazio, quem esta tomando este espaço?
Se não há voz, quem, então, está protagonizando este silêncio?
Quem está no deserto para afirmar que ele está deserto?

Eu me faço pedra
Porque, do crime, vivo o castigo;
Vivo a tormenta inquietante deste silêncio ensurdecedor.    

sábado, 25 de agosto de 2012

Amnésia


Nada mais importa. Afinal, eu sequer sei quem eu sou.
Acordei, esta manhã, sem ideia de que dia era; sem saber quem era aquele que me encarava (entristecido) pelo espelho. E, novamente, procedo desta tola filosofia - a mesma que devo proceder todas as manhãs.

Meus olhos tem o aspecto melacólico de muitos dias que eu não vivi;
Meu corpo esta tomado por marcas de batalhas que eu não travei;
E meus pensamentos seguem estagnados nos mesmos alicerces comprometidos de minha psique.


Do dia de ontem, eu me recordo. Talvez, tenha sido semana passada; ano passado. Eu não me lembro.
Eu era tolo; mas era livre.
E foi quando, ironicamente, parti em busca de conhecimento que o questionamento fez, de mim, o seu escravo.
Quem sabe, se eu tivesse aderido ao sistema e vestido uma face sincera e submissa, eu ainda portasse a dádiva que somente os tolos têm - o auto-conhecimento.


Amanhã, eu tornarei à estes mesmos versos, em uma nova folha em branco.
E repetirei cada uma delas palavras.

Pois nada mais importa. Afinal, eu sequer sei quem eu sou.