terça-feira, 24 de setembro de 2013

O Encontro Entre Dois Desolados Senhores

Foi então, lá por umas bandas do paraíso, em um bar pouco movimentado de beira de nuvem, que se encontraram, casualmente, dois grandes - e velhos - amigos.
- Freud! - exclamou um, com longos cabelos e barba.
- Jesus! - respondeu o senhor de cabelos grisalhos que fumava um charuto.

Mas, logo, aquele breve momento de excitação deu lugar à melancolia, em sua mais sincera face. Um pediu uma dose dupla de Tequila, para afastar as marteladas que sentia, em seus membros e sua mente. O outro optou por uma Ice, para que pudesse elaborar a angústia a ponto que ela desejasse ser mudada.

- Tem visto como o pessoal da Terra tem lidado com seus ensinamentos? - um deles se arriscou a questionar, como se aquele questionamento lhe perturbasse.
- Sim, e você? - rebateu a pergunta o segundo, já sabendo qual seria a resposta.
- Também.

E a mágoa se fez tão onipotente que um achou que ela poderia ser seu pai e o outro, por sua vez, chamou-a de castradora originária.

Por fim, perceberam-se ébrios.
Pena, somente, que não existisse um porre suficientemente doloroso que pudesse ausentar aquela tristeza. E, mesmo que nenhum dos dois falasse abertamente, ao recordarem de suas filosofias, quando vivos, o pensamento que lhes cobria era como o de pais, ao perceberem as misérias que fizeram de seus filhos:

- Onde foi que eu errei?!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013


Que tudo se fod..., digo, se exploda!

O puritanismo ta um saco! Na boa! To falando sério.
Trago o assunto à superfície de minhas faculdades mentais – e redes sociais – porque li uma declaração, atualmente, do renomado – e sempre polêmico – diretor polaco-francês Roman Polanski e, intrigado, comecei a prestar atenção no tema. Ele disse o seguinte: “Hoje em dia, se você oferece flores para uma mulher, é considerado indecente”. Ouso acrescentar-lhe, caro Polanski, que, se as flores forem vermelhas, então, nem se fala. Você já tem garantido sua acusação de atentado violento ao pudor.
Ta demais!
Hoje em dia, você não pode mais xingar o juiz, numa pelada de futebol, num domingo a tarde. Muito menos a mãe dele. Não pode demonstrar afeto, de qualquer natureza, a uma pessoa. Muito menos em público. Não pode dizer que o filho do visinho é mal criado. Alias!, dependendo da casa, não pode nem dizer que o seu filho é mal criado.
Chega a ser patético.
Hoje em dia, se você elabora uma piada, em algum contexto social, você está sendo ofensivo. Se olha para uma mulher, na praia, está sendo pervertido. Se você tem preferências físicas, é preconceituoso. Se tem alguma (des)crença religiosa, é um herege! E, acima de tudo, se você tem uma opinião fundamentada e ergue bandeira pela sua causa, você é um porra de um “cabeça fechada”.
Muito bem disse Tim Minchim: “Se você abrir demais sua mente, seu cérebro cairá!”.
Mandem-no para a fogueira!
Hoje em dia, da mesma sorte, não se pode discutir política. Alias!, não se pode abrir qualquer discussão! Se você expor uma ideia; um ponto de vista, aqueles que não concordam com você lhe chamarão de tudo quanto é nome. Você será taxado dos mais diversos apelidos. Poucos serão aqueles que, civilizadamente, chegarão dizendo: “discordo de sua tese” e, em seguida, fundamentarão sua opinião contrária.
Não! Ou você tem o mesmo pensamento que o deles, ou que morra a sua mãe!
Hoje em dia, o velho não pode mais ser chamado de velho. É idoso; é terceira idade; é melhor idade. O gay não pode mais ser chamado de gay. É homossexual; é homoafetivo. Também o preto não pode mais ser chamado de preto. É negro; é afro-descendente. Mas, no fundo, esta troca de nomenclaturas tem o exato mesmo objetivo: criar um preconceito que, até então, não existia. E ouso acreditar piamente que não existe nada pejorativo, senão o que a própria sociedade acaba impondo, tentando creditar um discurso politicamente correto.
Ou seja, não considero errado, e nem ofensivo, chamar um velho de velho, por exemplo. Não estou desmerecendo e nem sendo desrespeitoso com ele, somente pela forma que me dirijo ao mesmo. Eu não deixo de admirá-lo pelas suas conquistas e respeitar suas limitações. Até porque essas nomenclaturas apenas representam diferenças.
E não há nada de errado me ser diferente!
Não é pecado acreditar – ou desacreditar – em outras religiões. Não é errado demonstrar interesses particulares, mesmo que eles não sejam do costume social. Não é preconceito se dirigir a uma pessoa por uma característica do mesmo.
E não vou nem colocar em mesa o assunto “humor”. Há muito que o Brasil tem discutido este tema e, cada vez que ouço um “brincadeira tem hora”, ou “não se brinca com isso”, sinto um aperto no peito. Sinto que a liberdade de expressão é, realmente, uma farsa.
Parece difícil de entender!

Destarte, como humilde estudante, penso que, unicamente, o ser humano deve buscar ser feliz, e não prejudicar o próximo. Buscar amadurecer suas ideias e ser uma pessoa que satisfaça seus desejos e, se possível, colabore para o crescimento social.
Discursos politicamente corretos? Nomenclaturas ideais?

Ah, que tudo isso se fod..., digo, se exploda!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Estúpido Sorriso

Estes olhos que se escondem
Por detrás das lentes
São delírios que compreendem
Os meus suspiros ausentes.

Estes olhos que se descobrem
E tanto me devoram
São imensas ondas que cobrem
Estes tantos versos que choram.

E este sorriso, tão belo,
Meu estúpido sorriso, tão sincero,
É um mistério de quimeras
Que acompanha primaveras.