quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O que Eu Mais Quero

Eu quero olhar nos teus olhos; quero perder a noção.
Quero dizer que te adoro; sem ligar para a razão.
Eu quero te fazer minha; e te ver sempre sorrir.
E eu quero te deixar sozinha, só para, depois, te possuir.
Eu quero te levar pra minha casa; inventar um lanche qualquer.
Eu quero te puxar pelo braço, sem dizer uma palavra, sequer.
Quero fechar os teus olhos, e te arrastar até o meu quarto.
Quero te fazer um carinho, até o pulso sentir-se farto.
Quero sentir o teu cheiro; quer colar no teu corpo.
Eu quero ouvir teus gemidos; te fazer o meu porto.
Eu quero te fazer perder o juízo; e sentir seus arranhões.
Quero delirar pelo orgasmo; nossos corpos em contrações.

E quero estar ao seu lado, quando o sol despertar;
E te ver despertando, sorrir para ti e te beijar.

Do Outro Lado Da Mesa

É do seu sorriso inquietante
Que, na noite, se exalta;
Do teu olha penetrante,
Que eu mais sinto falta.

E, agora, tão distante,
Miro suas expressões,
Em pensamentos errantes
De tantas tentações.

Pois me comovi, sinceramente,
Nesta destreza - à meu espanto
E me perdi, humildemente,
Em sua beleza - todo seu encanto.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Keep the blues on!

Ontem à noite, eu fotografei uma bela mulher. Só para reviver aquele momento, posteriormente. Arrependi-me e exclui tal registro, porque temia arruinar a magia daquele lapso de instante, de quando ela cruzou por mim e trocamos olhares.

Ontem à noite, eu deixei a chuva me inundar. Nadei sobre as poças e chutei lama, espalhando gotas de chuva misturadas a terra para todos os lados e para toda minha roupa. Depois, arrependi-me, porque o curso daquela água se mantinha ali, como se nada tivesse acontecido.

Ontem à noite, eu colaborei com a pipoca de uma desconhecida. Só para observar sua expressão retraída e hesitante, ao aceitar minha prestação. Depois, arrependi-me, simplesmente por não ter sido um comerciante completo e solicitado, em troca, o seu nome.

Ontem à noite, eu investi um bom tempo para filosofar, sem pretensões, com um bom amigo. Disse-lhe sobre todos meus medos e meus anseios. Arrependi-me, depois, por não ter sido humilde o suficiente para ouvir os seus.

Ontem à noite, eu me entreguei a um bom e velho Blues que tocava, em alguns palcos laterais. Aceitei cada acorde da maioria das musicas e, disso, fiz uma poesia silenciosa, em meus pensamentos. Arrependi-me, posteriormente, por não ter aberto os meus olhos e observado a paixão pela qual os músicos expunham suas artes.

Hoje à noite, eu irei ao mesmo local. Verei, talvez, a mesma bela mulher; banhar-me-ei na mesma chuva. Colaborarei mais uma pipoca a um desconhecido. Encontrarei o mesmo amigo. Ouvirei o mesmo bom e velho blues.
E, talvez, esta noite, eu cometa os mesmos erros. E, amanhã, talvez me arrependa, mais uma vez.
E viverei este ciclo de paixões de arrependimentos.
Porque não tenho interesse algum em acertar, todos os dias. Porque, com paixões, eu sou como um descascador de batatas: não corto fininho; eu arranco pedaços.

Contando que o blues continue a tocar, todos os dias, para que eu possa errar – e amar – um dia a mais.

domingo, 17 de novembro de 2013

O Deserto

Existem tantos gostos
Para o mesmo disfarce
E tantos mil rostos
E outras mil faces.

Já não há mais razão
Quando se olha, de perto,
Que, ao invés da multidão,
Há – somente – um deserto.

O belo luar ilumina
E parece que encanta
O desejo fascina
Mas também não adianta.

E, aos poucos,
Sem – sequer – percebermos
Sobram – somente – os loucos
Que já não reconhecemos.

E a madrugada vai embora
Sem deixar uma despedida
E fingimos que é hora
De seguirmos com a vida.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Somente Hoje... Somente Amanhã...

Era início da noite. O som metálico extraído da chave, na fechadura, simbolizava o trancafiar de dois corpos, do resto do mundo. E, a partir daquele derradeiro instante; aquele divisor de águas, não havia mais nada que pudesse conter o espírito humano que pulsava, dentro daqueles peitos.

O anseio por um beijo. E nada mais.

Na tela ofuscada da televisão, talvez, um metragem exercia seu papel de entretenimento. Inglória função, visto que nenhum daqueles dois corpos tinham ciência de algo, naquele espaço. Somente o toque do outro. E, por esta mesma sorte, não havia nenhum estímulo externo que pudesse romper com o desejo que emanava daqueles lábios colados.

Um abraço quente. E nada mais.

E assim o parecia. Dois corpos fundidos, como se - tão enlouquecidos pelo desejo - já não pudessem mais cumprir com as leis da física e da matéria. Um olho no olho, como se aquele carinho viesse de há muito. Um toque, na pele, com a ponta dos dedos, como se aquele afago fosse durar a eternidade. Um suspiro ofegante. Um beijo no pescoço.

Uma peça de roupa a menos. E nada mais.

Então, a paixão.
Não a necessidade de possuir; de tomar. Não o compromisso que corre as ruas, diariamente. Mas o apego pelo outro; daqueles rostos sorridentes. De cada um, dos dois - e dos dois, como sendo um. E, sim!, a mera força de ficarem juntos; de cumprir com suas vontades e, principalmente, de perceberem o outro feliz. E, dessa felicidade alheia, construir a própria ventura.

Por um dia a mais. E nada a mais...