sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Somente Hoje... Somente Amanhã...

Era início da noite. O som metálico extraído da chave, na fechadura, simbolizava o trancafiar de dois corpos, do resto do mundo. E, a partir daquele derradeiro instante; aquele divisor de águas, não havia mais nada que pudesse conter o espírito humano que pulsava, dentro daqueles peitos.

O anseio por um beijo. E nada mais.

Na tela ofuscada da televisão, talvez, um metragem exercia seu papel de entretenimento. Inglória função, visto que nenhum daqueles dois corpos tinham ciência de algo, naquele espaço. Somente o toque do outro. E, por esta mesma sorte, não havia nenhum estímulo externo que pudesse romper com o desejo que emanava daqueles lábios colados.

Um abraço quente. E nada mais.

E assim o parecia. Dois corpos fundidos, como se - tão enlouquecidos pelo desejo - já não pudessem mais cumprir com as leis da física e da matéria. Um olho no olho, como se aquele carinho viesse de há muito. Um toque, na pele, com a ponta dos dedos, como se aquele afago fosse durar a eternidade. Um suspiro ofegante. Um beijo no pescoço.

Uma peça de roupa a menos. E nada mais.

Então, a paixão.
Não a necessidade de possuir; de tomar. Não o compromisso que corre as ruas, diariamente. Mas o apego pelo outro; daqueles rostos sorridentes. De cada um, dos dois - e dos dois, como sendo um. E, sim!, a mera força de ficarem juntos; de cumprir com suas vontades e, principalmente, de perceberem o outro feliz. E, dessa felicidade alheia, construir a própria ventura.

Por um dia a mais. E nada a mais...

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