sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Keep the blues on!

Ontem à noite, eu fotografei uma bela mulher. Só para reviver aquele momento, posteriormente. Arrependi-me e exclui tal registro, porque temia arruinar a magia daquele lapso de instante, de quando ela cruzou por mim e trocamos olhares.

Ontem à noite, eu deixei a chuva me inundar. Nadei sobre as poças e chutei lama, espalhando gotas de chuva misturadas a terra para todos os lados e para toda minha roupa. Depois, arrependi-me, porque o curso daquela água se mantinha ali, como se nada tivesse acontecido.

Ontem à noite, eu colaborei com a pipoca de uma desconhecida. Só para observar sua expressão retraída e hesitante, ao aceitar minha prestação. Depois, arrependi-me, simplesmente por não ter sido um comerciante completo e solicitado, em troca, o seu nome.

Ontem à noite, eu investi um bom tempo para filosofar, sem pretensões, com um bom amigo. Disse-lhe sobre todos meus medos e meus anseios. Arrependi-me, depois, por não ter sido humilde o suficiente para ouvir os seus.

Ontem à noite, eu me entreguei a um bom e velho Blues que tocava, em alguns palcos laterais. Aceitei cada acorde da maioria das musicas e, disso, fiz uma poesia silenciosa, em meus pensamentos. Arrependi-me, posteriormente, por não ter aberto os meus olhos e observado a paixão pela qual os músicos expunham suas artes.

Hoje à noite, eu irei ao mesmo local. Verei, talvez, a mesma bela mulher; banhar-me-ei na mesma chuva. Colaborarei mais uma pipoca a um desconhecido. Encontrarei o mesmo amigo. Ouvirei o mesmo bom e velho blues.
E, talvez, esta noite, eu cometa os mesmos erros. E, amanhã, talvez me arrependa, mais uma vez.
E viverei este ciclo de paixões de arrependimentos.
Porque não tenho interesse algum em acertar, todos os dias. Porque, com paixões, eu sou como um descascador de batatas: não corto fininho; eu arranco pedaços.

Contando que o blues continue a tocar, todos os dias, para que eu possa errar – e amar – um dia a mais.

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