Foi então, lá por umas bandas do paraíso, em um bar pouco movimentado de beira de nuvem, que se encontraram, casualmente, dois grandes - e velhos - amigos.
- Freud! - exclamou um, com longos cabelos e barba.
- Jesus! - respondeu o senhor de cabelos grisalhos que fumava um charuto.
Mas, logo, aquele breve momento de excitação deu lugar à melancolia, em sua mais sincera face. Um pediu uma dose dupla de Tequila, para afastar as marteladas que sentia, em seus membros e sua mente. O outro optou por uma Ice, para que pudesse elaborar a angústia a ponto que ela desejasse ser mudada.
- Tem visto como o pessoal da Terra tem lidado com seus ensinamentos? - um deles se arriscou a questionar, como se aquele questionamento lhe perturbasse.
- Sim, e você? - rebateu a pergunta o segundo, já sabendo qual seria a resposta.
- Também.
E a mágoa se fez tão onipotente que um achou que ela poderia ser seu pai e o outro, por sua vez, chamou-a de castradora originária.
Por fim, perceberam-se ébrios.
Pena, somente, que não existisse um porre suficientemente doloroso que pudesse ausentar aquela tristeza. E, mesmo que nenhum dos dois falasse abertamente, ao recordarem de suas filosofias, quando vivos, o pensamento que lhes cobria era como o de pais, ao perceberem as misérias que fizeram de seus filhos:
- Onde foi que eu errei?!
terça-feira, 24 de setembro de 2013
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Que tudo se fod..., digo, se exploda!
O puritanismo ta um saco! Na boa! To falando
sério.
Trago o assunto à superfície de minhas faculdades
mentais – e redes sociais – porque li uma declaração, atualmente, do renomado –
e sempre polêmico – diretor polaco-francês Roman Polanski e, intrigado, comecei
a prestar atenção no tema. Ele disse o seguinte: “Hoje em dia, se você oferece
flores para uma mulher, é considerado indecente”. Ouso acrescentar-lhe, caro
Polanski, que, se as flores forem vermelhas, então, nem se fala. Você já tem
garantido sua acusação de atentado violento ao pudor.
Ta demais!
Hoje em dia, você não pode mais xingar o juiz,
numa pelada de futebol, num domingo a tarde. Muito menos a mãe dele. Não pode
demonstrar afeto, de qualquer natureza, a uma pessoa. Muito menos em público.
Não pode dizer que o filho do visinho é mal criado. Alias!, dependendo da casa,
não pode nem dizer que o seu filho é mal criado.
Chega a ser patético.
Hoje em dia, se você elabora uma piada, em algum
contexto social, você está sendo ofensivo. Se olha para uma mulher, na praia,
está sendo pervertido. Se você tem preferências físicas, é preconceituoso. Se
tem alguma (des)crença religiosa, é um herege! E, acima de tudo, se você tem
uma opinião fundamentada e ergue bandeira pela sua causa, você é um porra de um
“cabeça fechada”.
Muito bem disse Tim Minchim: “Se você abrir demais
sua mente, seu cérebro cairá!”.
Mandem-no para a fogueira!
Hoje em dia, da mesma sorte, não se pode discutir
política. Alias!, não se pode abrir qualquer discussão! Se você expor uma ideia;
um ponto de vista, aqueles que não concordam com você lhe chamarão de tudo
quanto é nome. Você será taxado dos mais diversos apelidos. Poucos serão
aqueles que, civilizadamente, chegarão dizendo: “discordo de sua tese” e, em
seguida, fundamentarão sua opinião contrária.
Não! Ou você tem o mesmo pensamento que o deles,
ou que morra a sua mãe!
Hoje em dia, o velho não pode mais ser chamado de
velho. É idoso; é terceira idade; é melhor idade. O gay não pode mais ser
chamado de gay. É homossexual; é homoafetivo. Também o preto não pode mais ser
chamado de preto. É negro; é afro-descendente. Mas, no fundo, esta troca de
nomenclaturas tem o exato mesmo objetivo: criar um preconceito que, até então,
não existia. E ouso acreditar piamente que não existe nada pejorativo, senão o
que a própria sociedade acaba impondo, tentando creditar um discurso
politicamente correto.
Ou seja, não considero errado, e nem ofensivo,
chamar um velho de velho, por exemplo. Não estou desmerecendo e nem sendo
desrespeitoso com ele, somente pela forma que me dirijo ao mesmo. Eu não deixo
de admirá-lo pelas suas conquistas e respeitar suas limitações. Até porque essas
nomenclaturas apenas representam diferenças.
E não há nada de errado me ser diferente!
Não é pecado acreditar – ou desacreditar – em outras
religiões. Não é errado demonstrar interesses particulares, mesmo que eles não
sejam do costume social. Não é preconceito se dirigir a uma pessoa por uma
característica do mesmo.
E não vou nem colocar em mesa o assunto “humor”.
Há muito que o Brasil tem discutido este tema e, cada vez que ouço um “brincadeira
tem hora”, ou “não se brinca com isso”, sinto um aperto no peito. Sinto que a
liberdade de expressão é, realmente, uma farsa.
Parece difícil de entender!
Destarte, como humilde estudante, penso que,
unicamente, o ser humano deve buscar ser feliz, e não prejudicar o próximo.
Buscar amadurecer suas ideias e ser uma pessoa que satisfaça seus desejos e, se
possível, colabore para o crescimento social.
Discursos politicamente corretos? Nomenclaturas
ideais?
Ah, que tudo isso se fod..., digo, se exploda!
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Estúpido Sorriso
Estes olhos que se
escondem
Por detrás das
lentes
São delírios que
compreendem
Os meus suspiros
ausentes.
Estes olhos que se
descobrem
E tanto me devoram
São imensas ondas
que cobrem
Estes tantos
versos que choram.
E este sorriso,
tão belo,
Meu estúpido sorriso,
tão sincero,
É um mistério de
quimeras
Que acompanha
primaveras.terça-feira, 27 de agosto de 2013
Pena de Morte ao Recém-Nascidos
Já há algum
tempo que tenho o interesse em escrever sobre este tema, mas, por algum motivo,
ainda não havia começado. Talvez, eu não houvesse encontrado um título
chamativo o suficiente para o meu objetivo. Ah, e falando no título, peço
perdão pela agressividade do mesmo, mas cri ser de suma relevância, para que o
objetivo de meu texto fosse explícito, desde o início deste.
A redução da
maioridade penal. Atualmente, se fala em dezesseis anos. Dizem que, nos Estados
Unidos, a maioridade penal é de X. E, da mesma sorte, ouvem-se campanhas desta
natureza com os mais agressivos e superficiais métodos: “se você gosta tanto deles,
leve um para a sua casa”, ou “tem que matar tudo esses vagabundos; cometem
crimes e não acontece nada”, ou qualquer outro comentário que siga essa linha.
Entretanto,
eu paro para pensar: se é assim que começa, onde vai parar?
Sim, porque,
se estamos interessados em fazer de um menor responsável pelos seus atos, e percebemos
que crianças ainda menores cometem crimes, sistematicamente, vamos chegar ao
ponto de exigir cadeira elétrica às crianças que não emprestarem o
brinquedinho.
Não, não é
exagero! É uma breve ilustração! Ou você acha tal sociedade seria impossível?
O que eu
quero dizer é que o criminoso não é culpado pelos seus atos. Isso mesmo, não é!
Ele é, simplesmente, uma vítima de um sistema ineficiente de locomoção social.
Ele nasce em um ambiente hostil, já carregado de pessoas que não tiveram
direito a uma educação de qualidade, a saúde básica e a uma estrutura social de
apoio. Por este motivo, partiu para a criminalidade como única maneira – embora
travestida – de encontrar alguma dignidade, na vida. O crime se torna a única
escola em que essas pessoas podem cursar. E, uma criança inserida neste
contexto, muito provavelmente, por não conhecer o outro lado da moeda ou,
simplesmente, por inocência, seguirá os mesmos passos.
Eu grito, aos
quatro ventos, inclusive, que, se eu não tivesse uma estrutura familiar
minimamente estruturada, se não tivesse uma educação fundamental, se não
tivesse pão na mesa, todos os dias, sem dúvida alguma, também buscaria um meio
alternativo para sobreviver. Ou seja, se eu tivesse nascido no mesmo contexto
social que os, ditos, marginais nasceram, certamente, eu também seria um
criminoso.
Portanto,
qual a solução? Reduzir a maioridade penal? Não. Morte a todos os criminosos?
Muito menos!
A solução é
simples, no papel. Que a educação pública seja adequada, a saúde seja
eficiente. Enfim, que o sistema social funcione e proporcione a todo cidadão o
que lhe é, por direito: condições de vida! Porque não me restam dúvidas de que
qualquer homem – branco, preto, hetero, homo, pobre, rico, germânico ou
africano – pode, muito bem, ser um cidadão de bem. E qualquer um dos mesmos,
também está sujeito a uma vida criminosa, se for rodeado por um meio em que
esta é a única via de levar a vida.
Portanto,
meus caros, reduzir a maioridade penal não vai resolver, ao menos que queiramos
que os bebês parem de chorar. Aí sim! Mas, caso contrário, estaremos apenas
assassinando uma geração, a espera da próxima; criando um ciclo de morte tão
vicioso que, muito em breve, não haverá mais um miserável sequer para bater o
martelo.
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