terça-feira, 24 de setembro de 2013

O Encontro Entre Dois Desolados Senhores

Foi então, lá por umas bandas do paraíso, em um bar pouco movimentado de beira de nuvem, que se encontraram, casualmente, dois grandes - e velhos - amigos.
- Freud! - exclamou um, com longos cabelos e barba.
- Jesus! - respondeu o senhor de cabelos grisalhos que fumava um charuto.

Mas, logo, aquele breve momento de excitação deu lugar à melancolia, em sua mais sincera face. Um pediu uma dose dupla de Tequila, para afastar as marteladas que sentia, em seus membros e sua mente. O outro optou por uma Ice, para que pudesse elaborar a angústia a ponto que ela desejasse ser mudada.

- Tem visto como o pessoal da Terra tem lidado com seus ensinamentos? - um deles se arriscou a questionar, como se aquele questionamento lhe perturbasse.
- Sim, e você? - rebateu a pergunta o segundo, já sabendo qual seria a resposta.
- Também.

E a mágoa se fez tão onipotente que um achou que ela poderia ser seu pai e o outro, por sua vez, chamou-a de castradora originária.

Por fim, perceberam-se ébrios.
Pena, somente, que não existisse um porre suficientemente doloroso que pudesse ausentar aquela tristeza. E, mesmo que nenhum dos dois falasse abertamente, ao recordarem de suas filosofias, quando vivos, o pensamento que lhes cobria era como o de pais, ao perceberem as misérias que fizeram de seus filhos:

- Onde foi que eu errei?!

Nenhum comentário:

Postar um comentário