terça-feira, 28 de agosto de 2012
Inserção
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Fórmula Para O Sucesso
domingo, 26 de agosto de 2012
Tormenta
O acorde segue pulsante; segue queimando a poesia.
Eu percebo, mesmo sem querer, os gritos que se escondem nestes silêncios.
É alta madrugada e, nos rostos inertes em sono, a inquitude ainda predomina.
Ainda que o travesseiro permita-lhes descansar, o quão essas mentes estão amedrontadas, entristecidas, amordaçadas e esquecidas?
Fecho meus olhos, também. Mas não para dormir. Quero, deveras, perceber o silêncio.
E, se não há ninguém neste espaço vazio, quem esta tomando este espaço?
Se não há voz, quem, então, está protagonizando este silêncio?
Quem está no deserto para afirmar que ele está deserto?
Eu me faço pedra
Porque, do crime, vivo o castigo;
Vivo a tormenta inquietante deste silêncio ensurdecedor.
sábado, 25 de agosto de 2012
Amnésia
Nada mais importa. Afinal, eu sequer sei quem eu sou.
Acordei, esta manhã, sem ideia de que dia era; sem saber quem era aquele que me encarava (entristecido) pelo espelho. E, novamente, procedo desta tola filosofia - a mesma que devo proceder todas as manhãs.
Meus olhos tem o aspecto melacólico de muitos dias que eu não vivi;
Meu corpo esta tomado por marcas de batalhas que eu não travei;
E meus pensamentos seguem estagnados nos mesmos alicerces comprometidos de minha psique.
Do dia de ontem, eu me recordo. Talvez, tenha sido semana passada; ano passado. Eu não me lembro.
Eu era tolo; mas era livre.
E foi quando, ironicamente, parti em busca de conhecimento que o questionamento fez, de mim, o seu escravo.
Quem sabe, se eu tivesse aderido ao sistema e vestido uma face sincera e submissa, eu ainda portasse a dádiva que somente os tolos têm - o auto-conhecimento.
Amanhã, eu tornarei à estes mesmos versos, em uma nova folha em branco.
E repetirei cada uma delas palavras.
Pois nada mais importa. Afinal, eu sequer sei quem eu sou.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Calado

Bendito aquele que esticou a corda e soprou o vazio e, da audácia, fez a música. Sento-me na calçada, com a viola ao colo e deixo meus dedos deslizarem por dedilhados nada precisos – desafinados para os que não convivem da mesma sintonia que eu; para a maioria. Distante, o assovio preenche as fissuras deixadas pelos sorrisos parciais que ouço nascerem – e morrerem – da estaca da mediocridade e/ou da sala de estar. A televisão está ligada e faz minha música inaudível.
Ninguém investe seu tempo em minhas notas, talvez, possivelmente, porque a maioria não acompanhe o tom melódico e filosófico das poesias que deixo o silêncio cantar. “Vamos embora! Ele não cantará nada e está quase na hora da novela.” Ah, é claro, como eu fui tolo; eu havia esquecido: o homem tende a verbalizar todos seus pensamentos e, por isso, muitas vezes, ouço-o recitar suas paixões, mas há muito não vejo um lar erguido pela arquitetura do amor. São tijolos sobre tijolos, areia, água e cimento. E estes, o tempo se encarregará de corroer, aos poucos, até não sobrar mais nada, além de ruínas. Eis a lei de toda a razão humana; eis a bíblia dos levianos.
Aprendi com o poeta que, outrora, disse – ou cantou: “Aos dois anos, o homem aprende a falar. E muitos morrem sem aprender a ouvir.”
O silêncio, o mais belo e tocante dos acordes que aprendi a dedilhar, é constante e propositalmente quebrado. É temido. É nesta ausência de dizeres que escrevi, portanto, em mim, como uma página em branco e como uma noite de sono, absolutamente nada. Tornou-se, esta, uma poesia tão bela e limpa, sem qualquer assassinato que a razão pudesse protagonizar, que decidi dar-lhe um título – chamei-lhe de “Alma”.
Cantei os últimos versos que o silêncio me orquestrou. A caixinha de doação está vazia, desprezando a estranha mistura de concreto e poeira que os sapatos aproximaram com chutes, e não há nada para que eu possa partilhar o pão posteriormente, em casa. Enquanto o sino do campanário anuncia o atraso de todos e intensifica o trabalho dos animaizinhos humanos, fugindo da sombra e correndo atrás do próprio rabo.
Despeço-me, agradecendo pelo nada que me foi oferecido, mas muito diferente do nada que lhes presenteei. Afinal, não ganhei nenhum sorriso ao dia de hoje, um olhar periférico, sequer.
Despeço-me, no mesmo silêncio que cheguei. Quem sabe, ainda ignorado. Estranha humanidade, hein? Parecem não recordarem que seus maiores ídolos, além do homem no qual oram, hoje, compartilham do mesmo silêncio que eu.

