terça-feira, 28 de agosto de 2012

Inserção


Vivo (tão intenso e constante) nesta perdição, que tantos lapsos de delírios se fizeram minha realidade. Acordo. Desperto, ainda que hesitante. Vago (sem destino) pelos móveis, moradas e mundos. Busco algo de sincero (mesmo que irreal) em meio a este oceano de desalento.
E, se este for (apenas) mais um projétil de existência que eu criei? O quanto, então, me afasto dos travessões limítrofes do ser?
As notas da literatura e as páginas musicais (ou algo assim) me aproximam desta realidade – ou deste desvairar (tanto faz). Mesmo assim, veja que irônico (ou trágico) derradeiro. Ainda que a arte abra-me portas ao inimaginável (leia-se, real), eu persisto como uma presença indesejada, abrigado pelo frio do inverno, espiando (do lado de fora) uma família aconchegada em frente à lareira. E (até isso) me parece banal.
O quanto (destarte) eu vivo, então? Se as páginas e os acordes (e a taça de café) me parecem tão reais?
- Está acordado? – alguém me pergunta.
E é (deveras) difícil encontrar uma resposta plausível.
- Não tenho certeza.

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