Vivo (tão intenso e constante) nesta perdição, que
tantos lapsos de delírios se fizeram minha realidade. Acordo. Desperto, ainda
que hesitante. Vago (sem destino) pelos móveis, moradas e mundos. Busco algo de
sincero (mesmo que irreal) em meio a este oceano de desalento.
E, se este for (apenas) mais um projétil de
existência que eu criei? O quanto, então, me afasto dos travessões limítrofes
do ser?
As notas da literatura e as páginas musicais (ou
algo assim) me aproximam desta realidade – ou deste desvairar (tanto faz).
Mesmo assim, veja que irônico (ou trágico) derradeiro. Ainda que a arte abra-me
portas ao inimaginável (leia-se, real), eu persisto como uma presença
indesejada, abrigado pelo frio do inverno, espiando (do lado de fora) uma
família aconchegada em frente à lareira. E (até isso) me parece banal.
O quanto (destarte) eu vivo, então? Se as páginas
e os acordes (e a taça de café) me parecem tão reais?
- Está acordado? – alguém me pergunta.
E é (deveras) difícil encontrar uma resposta
plausível.
- Não tenho certeza.

Nenhum comentário:
Postar um comentário