segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Sem Palavras

Foi tão intenso. Tão denso.
Mesmo que tenha sido inconsequente
Foi tão cativante e envolvente.

Foi imprudente. Foi inesperado
Mas, mesmo não estando ciente;
Não me importa - estava ao seu lado.

Senti-me bem
Como nenhum outro dia
Com nenhum outro alguém
Nesta noite tão fria.

E você, com seu sorriso perfeito,
Deixou-me, assim, sem jeito.

E aquela despedida;
Aquele misto de alvoroço
A observar sua partida
Com aquele beijo, no pescoço.

Foi tão enlouquecedor
Que bem parecia
O surgir de um beija-flor
No recando da maresia.

E, nestes beijos; vontades tão loucas
Que me deixaram, assim, com água na boca!

domingo, 10 de novembro de 2013

A Noite D

Era alta madrugada. A noite se mostrava envolvente. Todavia, eu estava deslocado. Deslocado. Deslocado. Como um passageiro de avião que mira o chão, aos seus pés, sem imaginar que aquele ainda era o seu mundo.

Virei-me. Dei as costas para este mesmo mundo. Deixei que as vozes se distanciassem. Distantes. Distantes. Como se aquela noite deixasse de ser real. Como se eu fosse um mero expectador. Assistindo a tudo, do lado de fora. Daquele espaço que mesclava entre vozes e batidas. Brisas e pingos. Goles e tragadas.

Segurei - com unhas e dentes; pele o osso - uma memória contida. Daquela conversa despretensiosa. Despretensiosa. Despretensiosa. Um rosto delirante. Rascunhado, como se fosse belo demais para ser passado a limpo. E aquele par de longas pernas, em harmonia com a madrugada. Agarrei-me, assim que aquelas formas - e traços, e gestos - se fizeram material. Amarrei cada minuto daquela longa - e demorada - fila.

Depois de alguns segundos. Alguns fragmentos de instantes. Alguns ventos de madrugada metamorfoseando-se em dia. Dia. Dia. Eu me vi. Débil e vislumbrado. Em um sorriso sem antecedentes. Sem conter-me.

Talvez, até, estivesse sendo igualmente assistido.

Portanto, virei-me! Encarei o espaço com minhas tantas caras fissuradas e tantas bocas determinadas. Destemidas. Desteminas. Iria - enfim! - atrás daquele rosto retangular de Afrodite. Correria - até o fim do mundo; até o final da madrugada - buscando aqueles lábios contidos da Vênus de Milo. Aquele sorriso formoso de Helena de Tróia. Daqueles olhos delineados, como os da própria Cleópatra.

Ainda que eu não soubesse o seu nome, sequer.

Mas, quando cheguei. E por tantas vezes vaguei. De corredor em corredor. De caminhos destinados. Destino. Destino. Simplesmente, encontrei ninguém, senão meu rosto, suado e febril, de frente ao espelho sujo do banheiro.

E ela já havia partido.

E eu, vacilante. Errante, como um derrotando, tornando de batalha. Fechei meus olhos, esperando acabar aquele tempo. Jurando para que tudo fosse um sonho. E que tudo estivesse normal. E ela talvez, nem existisse.

Mas eu estava errado. E havia perdido. Aquele dia de. D. D.

sábado, 9 de novembro de 2013

Perdido, Naquele Encanto

E, aquela noite, se apossou de mim
Foi tão lindo que não hesitei em dizer que sim
Mas me via, ainda assim,
Como um estranho, olhando de fora.

E me perdi - era meu fim
Quando percebi aquele perfume de jasmim
E aquele sorriso de um anjo querubim
Estava congelado, naquele olhar de aurora.

Naqueles cachos, eu me perdi
Que nem reparei, o quão bobo sorri
E, naqueles olhos, eu me encantei
Assim, tão doce, que eu nem reparei.

Quem sabe, então
– Não que necessite de razão –
Mas amanhã, talvez,
Eu torne a me perder
– Mesmo que sem querer –
Naquela insensatez.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Madrugada Abafada

Era noite adentro – meu rosto abatido
Meus olhos fervendo – meu desejo perdido.

Foi quando, assim – sem pretensão,
E diante de mim – eu tive uma visão.

Era tão doce e bela;
Com um rosto de porcelana
Com picantes tons de aquarela
De um afável final de semana.

E era tão linda – era não fascinante
Que seu sorriso ainda – se fazia distante.

Mas ela não me olhou
Eu busquei, insistentemente
E, daqueles olhos, o que restou

Foi a lembrança de um poente.

domingo, 3 de novembro de 2013

Só

Não me perturbe
Não me atrapalhe
E também não jogue
Pedras pelo meu caminho.

Porque eu só quero estar sozinho.

Portanto, não perceba
Se eu estiver indisposto
Amargurado
E não aceitar seu carinho.

Porque eu quero, somente, ficar sozinho.

Não me importa também
Se as margens forem fundas
Se o caminho for árduo
E se a rosa tiver espinho.

Justamente, porque só quero estar sozinho.

E não me importa, então
Os que passaram
Os que passarão
E os passarinhos.


Porque, por favor, eu só quero ficar sozinho.