segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Minha Neve

Acabei de ver a neve cair, em caxias do Sul, depois de quase vinte anos, desde a última experiência.
Entretanto, embora tenha tentado, preferi deletar todos os registros desse dia. Não guardarei foto, ou filmagem, ou qualquer outro documento desta natureza.

Porque, perdoem-me a arrogância, mas essa neve que caiu, assim como o momento, os sentimentos e as lembranças que a mesma acarretou, é algo meu. E meu somente.

Os outros que aproveitem a neve da forma que acharem melhor. Eu prefiro, no entanto, não poluir um símbolo tão puro com outra forma de registro que não seja a própria memória.

E mesmo que amanhã, ao amanhecer, não haja mais resquício algum do fenômeno que se passou, esta noite, não me importarei. Mesmo que demore mais quase vinte anos; não ficarei sentido.
Porque hoje - e hoje, somente - aconteceu. E se manterá assim, até que minhas mais belas memórias se percam pelo universo...

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Boa noite, morte.

“Todos vamos morrer”. Eis, aí uma frase que me deparei, há alguns anos, e que vem me acompanhando, não importa onde eu esteja. Eis aí uma questão a qual nenhum de nós pode escapar. Podemos, muito bem, tentar driblar; adiar, mas não importa: nosso encontro com a senhora morte é certo.
Da mesma forma, os avanços científicos, as descobertas da medicina. Tudo isso nada mais é do que uma forma de amenizar a tensão a qual ficamos diante a impotência, frente nossa finitude. Todos morreremos e, por conseqüência, todos tememos o dia em que morreremos. Talvez, até não tenhamos, diretamente, medo da morte, mas as conseqüências que podem acompanhá-la.
Não nos formarmos. Não ver nossos filhos crescerem. Não colhermos os frutos de nossos estudos e ficarmos ricos, ou famosos, ou ambos.
Algum fragmento de medo, ainda que limitado, existe, quando o assunto é a nossa morte. Somos, todos os dias, vulneráveis e deparados com nossa fragilidade. A sociedade, por conseqüência de suas diretrizes, nos posicionou em um campo em que ficamos, ao mesmo tempo, hábeis a usufruirmos melhor nossa longevidade, e insignificantes, frente ao poder crescente desenfreado.
A revolução das indústrias farmacêuticas, o conhecimento anatômico, as pesquisas biológicas – eis as formas as quais nos permitem alongar nossa estadia mundana. Entretanto, neste mesmo panorama histórico, estamos diante de bambas atômicas, veículos super potentes, poderes naturais. E isso me faz recordar de uma frase da sábia personagem dos quadrinhos, Mafalda, quando sua mãe responde que ainda não proibiram as armas nucleares.
Ela disse: “Seria lindo acordar um dia e saber que nossa vida depende só de nós”.
Vou além!
Voitaire, artista iluminista Frances, certa vez, nos disse: “Nós nascemos sozinhos. Nós vivemos sozinhos. Nós morremos sozinhos. E qualquer coisa neste intervalo que possa nos dar a ilusão de que não estamos sós, nós nos agarramos a ela.” E isso faz, inclusive, parecer que todo o resto é, somente, uma ilusão. Que crescemos segundo um modelo social de estudo, graduação, trabalho, uma cervejinha, no final de semana, um casamento estável, uma estrutura familiar,... e basta! Como se não nos restasse nada além do que ser apenas mais um dos cento e tantos bilhões de seres humanos que já habitaram nosso planeta.
Mais um que nasceu, no anonimato, e morreu, para ser esquecido. Mais um que, como disse o dramaturgo, nasceu sozinho e morreu sozinho?

Então, qual é o sentido, afinal?


PS: peço desculpas pela tensão do texto. Não tive interesse de passar mensagem alguma. Foi somente um desabafo. Tanto faz, pra mim, que ele tenha ficado sem estrutura e esteticamente feio. Afinal de contas, eu não posso anexar moral, nessa história. Afinal de contas, eu também não sei qual é.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Quero Teu Bem

Triste é o bem me quer
Que, quando não me quer,
Arranca quantas pétalas quiser
De todas as flores que puder.

Triste é o passarinho
Que, quando deixa o seu ninho,
E perde o seu caminho
Sempre entristecido, está sozinho.

Triste são as estrelas
Que, apesar de sempre tão belas,
São apenas vistas, das janelas,
Como singelas sentinelas.

Mas feliz é este encanto
Que, neste suspiro e neste pranto,
Quando me deparo com teu canto

Te idolatro tanto quanto.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Velho. E pronto!

Com base no texto e na experiência vivida pela minha namorada Stefany Godoy, gostaria de expressar alguns pontos acerca dos velhos.
Antes de tudo, moralistas de plantão: leiam o texto inteiro, antes de qualquer crítica equivocada. Refiro-me as pessoas com mais idade por velhos. Simples assim. Não tenho toque de sensibilidade para dizer “idosos” ou “melhor idade”. É velho, e pronto. E isso não é uma ofensa. Na verdade, é só uma denominação, sem nada a esconder. Qual o contrário de “claro”? Escuro. Qual o contrário de “branco”? Preto. Não precisa criar intriga onde não há. Ou, como diria meu pai, colocar chifre em cabeça de cavalo.
Pois bem, vamos ao que importa:
Entendo que os mais velhos devem ser respeitados pela sua experiência de vida e sua longa e exaustiva estrada. A mídia nos mostra os mais velhos como pessoas indefesas e, antes de qualquer qualidade, sábios. Nos diz, da mesma forma, que devemos respeitá-los, amá-los, ouvi-los e blá blá blá. Todavia, eu não mudo o discurso: IDOSOS DEVEM MERECER O RESPEITO OS QUAIS EXIGEM!
Porque podem haver velhos muito sábios, corretos e admiráveis, mas também existem - sim! - velhos sem vergonha, mal educados e de péssimo caráter. E andando aos montes. Não são todos (nem ma maioria), mas existem.

E é com este ponto como base que direciono minha “crítica” – se é que posso assim denominá-la - para questão das passagens de ônibus. Eu sempre me faço o mesmo questionamento: por que um idoso merece passe livre e um estudante de ensino superior não?
Deixo claro, novamente, antes que os moralistas venham me crucificar: não sou contra a isenção do valor das passagens aos idosos, mas não consigo aceitar que eles tenham direitos superiores aos estudantes.
Afinal de contas, sejamos exatos - e racionais, acima de tudo: por mais que os velhos tenham feito aquilo e acolá pelos nossos tempos; por mais que eles tenham traçado toda uma vida e estejam mais debilitados que a maioria das pessoas, o futuro de uma civilização é - e sempre será - os jovens estudantes.
Estudantes, inclusive, que tratarão dos velhos, em breve. Que descobriram formas de aliviar a dor, de prolongar a vida, de manter a sanidade,... Pois bem, jovens que farão, da vida dos velhos, vidas melhores.


Então, por que diabos uma sociedade deve dar prioridade aquele que já encaminhou o seu legado e já plantou suas sementes, frente aquele que tem ainda todo um caminho a percorrer?

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Triste Passarinho, Quando Sozinho

Aquele dia,
Quase não nasceu
Uma fantasia,
Que quase se perdeu.

Ele não sorria,
Parecia tão tristonho
E, em sua melodia:
A tristeza de um sonho.

E vê-lo, então,
Naquele padecer;
Um ferido coração
Um rancor sem razão
Que preferia esquecer.

Oh, como me dói te ver sozinho!
Nesta dor – e neste pranto
Como é triste um passarinho
Que, sem encanto,

Amargurou seu canto.