sábado, 14 de dezembro de 2013

Pelos Segundos Próximos a Ti

Aquele início de tarde - e aquele sutil atraso de alguns minutos - pareciam não remeter a nada além de alguns segundos de alimentos narcísicos. Eu aguardava, dentre cada uma das minhas precisas escolhas, a sua chegada.

Mas não aguardava ao seu sorriso. Não consegui imaginar que, entre cada uma das suas palavras; a cada picada de mosquito em suas pernas, eu conseguiria me deixar envolver pelo instante. E era como se o mundo inteiro tivesse desaparecido - como se, para além daquela câmera, houvesse simplesmente um par de olhos escuros. Não acreditei ainda ser capaz encontrar uma pessoa que me deixasse sem chão; que me fizesse errar, por alguns passos. Não imaginei existir um ser capaz de "clicar" cada uma das fissuras que existia em mim.

Mas havia.

E, por haver, eu não me contive. Eu não fui capaz de manter meus instintos de escrivão distantes o suficiente para não transformar cada uma de suas palavras em uma poesia, aos meus ouvidos.
Eu brinquei, porque não havia forma mais propícia para esconder meus receios, meus medos; minha vergonha.
Eu consenti, porque não encontrei obstáculo algum, dentre seu trabalho e meu corpo que pudesse romper com aquele desejo.

E, a cada fotografia; cada espaço; cada pose, eu aguardava você me chamar, para mirar o resultado, em um instante em que eu pudesse sentir o cheiro do seu cabelo e tocar, sutilmente, a ponta dos seus braços tatuados.

Porque não me importo mais! Que o mundo se exploda! Eu quero ser feliz!
Eu quero gritar pela minha liberdade!

Porque, da mesma sorte em que você se aprofundou à minha imago; sobre o meu corpo, eu também já não posso mais negar, dentre todos os pingos d'água e cada pedra escorregadia, que não havia complemento mais belo, em toda aquela natureza, que a profundidade de seus olhos; o brilho do seu sorriso e o canto de cada uma das suas palavras.

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