segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Abismado Com Seu Ritmo

Eu adentrei àquele espaço. Despretensioso; hesitante. Meus pensamentos ainda sofriam de alguma macabra derivação do último capítulo lido. Talvez, porque eu não esperava que pudesse ser acometido por um estranhamento, de qualquer natureza.
Não. Certamente, não.
Mas fui. Ah, e como o foi! Como o despertar de um transe sinistro; o obter de um conhecimento que me era, até o presente momento, um fragmento de minha imago que não imaginei poder existir. E, mesmo que possa parecer utópico, eu não creio que esteja superestimando o estado pelo qual fui imergido, quando me deparei com aquele vestido verde, em um ritmado movimento cativante e sensual.
Mas me frustrei, assim que direcionei os meus pensamentos para o meu particular mundo das palavras, porque não encontrei verbalizações hábeis a descrever aquele sorriso; aquele suave, gentil e tentador corpo. Talvez, o ser humano seja, realmente, limitado. Ou estejamos na superfície de uma novalingua, como previa Ornwell, em meados dos anos 40. Porque pode já não existir palavras para transmutar os traços daquele rosto.
Mesmo assim, aventuro-me, agora, por entre as palavras. Ainda que seja arriscado. Ainda pareça suicida buscar, em uma ciência de padrões limitados, os quesitos para desmembrar as desventuras pelas quais passeavam aqueles profundos olhos. Porque até mesmo o mundo se tornou lindo, visto pelo reflexo daquela íris. Formou-se, neste miserável - que também é um escritor - uma nova forma de compreender os estímulos externos.
Portanto, restou-me, unicamente, - oh, que melancolia, a minha - saudar-te com minhas palmas, enquanto você ofegava, sutilmente, aos últimos passos daquela dança que jogava, em um mar de fogo, as brasas de seus cabelos. Tão belos; tão quentes!
E, para tanto, uma despedia.
Como se este fosse, unicamente, o fragmento limitado de um sonho. Um lapso da mais precisa e belo loucura, em meio à vasta e pacata realidade.

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