Porque qualquer semelhança é mera coincidência.
Mas era alta madrugada, se bem tenho ciência. A noite estava escura, mas estava abafado. Ela não era mais pura; nem estava ao meu lado. Eu precisava dar um fim a toda aquela dor. Deixar de lado, todas as lembranças que poderiam lembrar um amor.
Por isso, eu sai de casa, primeiramente sem destino. Mas o cheiro pútrido que corria dela insistia em me inundar. Eu fui tomado, com se fosse o chorume, em um lago cristalino. E não resisti, quando a fúria me tomou, sem pesar.
Eu tinha, às mãos, as marcas de uma paixão. Tinha, aos olhos, uma perversa possessão. Tinha, à mente, um desejo sem razão.
Mas tinha, ao lembrar-me de ti, um menosprezo consciente. Tinha, na evocação de nossas memórias, meros lapsos decadentes. E, desda amargura - a qual já não tinha cura - eu fui ao teu encontro. Suicida, insensato, imprudente.
Eu estava frustrado. Meus lábios estavam dormentes. O gosto amargo de ferro, na garganta, se mantinha aprisionado. E era como se nosso amor nem mais fosse ciente. E, por isso, quando te vi. Rodeado de tantos outros, exatamente iguais a ti. Não sei bem o que senti. Se é - é claro - que algo que eu vivi.
Sei, somente, que apontei minha angustia para a sua expressão. Era sincera - todavia - toda aquela emoção. Eram lágrimas, mas não havia nada de sutil. Eram - sim! - passos, sobre um território hostil.
Então, quando aquele projétil atravessou a sala - o salão. Quanto atingiu sua fala - e seu rosto tocou o chão. Quase me pareceu melancólico; um poema bucólico. Talvez, pela tamanha precisão.
E quase eu nem percebi, quando os outros entraram naquele desgosto; aquele frenesi. Nem repararam naquela, que os cabelos arrumou; as unhas pintou, o salto alto vestiu, e a máscara da futilidade serviu.
Nem repararam, pois não conseguiram desviar os olhos do espelho. Nem notaram, aquelas leves pigmentações de vermelho.
Notaram, somente, com tamanha aflição e tristeza - comoção e destreza - que a bala que enegrecera sua visão, fora a mesma que transformou em uma poça etílica, com cacos de vidros, daquele "litrão".
E, assim, acabou a festança temática. Apagou-se aquela mentalidade decadente e lunática. Não havia mais baladas, nem pegação. Não havia a cartada; nem um às à mão.
Havia, somente, um corpo vazio, estirado no chão.
PS: isso é mera ficção - de veracidade, somente a ausência. Por isso, ressalto, que qualquer semelhança, é mera coincidência.
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