domingo, 15 de dezembro de 2013

A NOITE EM QUE (NÃO) PERDI O MEU AVÔ

“Todos vamos morrer, e isso faz, de nós, pessoas afortunadas”, eu li, certa vez, em um fantástico livro. O autor, na presente obra, declara que a morte é um presente dado somente àqueles que puderam viver e que isso, por si só, deve ser comemorado. Ressalta que nosso conjunto genético poderia incluir cientistas maiores que Newton, ou poetas maiores que Shakespeare, mas que somos nós – com todos os nossos defeitos; nossas limitações – que estivemos aqui.

Desta sorte, portanto, eu creio que a ligação – a mesma que carregou o recado do falecimento do meu avô, HERMÍNIO SANDI, 94 anos – foi um intervalo de instante que me possibilitou perceber o quão fantástica é a vida. Tanto que, no carro, à caminho do hospital, ouvi meu pai falar sobre a maravilhosa pessoa que era seu pai; meu nôno. E, no mesmo segundo, eu lhe disse que estas lembranças que seriam lembradas desta pessoa.

E é este, justamente, o meu pensamento! Critiquem meu posicionamento; digam que eu sou um cético. Mas que vejo a morte como o último capítulo do mais maravilho livro: a vida. E, se houve um enredo, a criação de diversos personagens e uma conclusão, é porque esta história ficará marcada, em muitas memórias e – certamente! – em muitas mais pessoas.
Porque uma pessoa não se vai, quando seu corpo já não reage. Um corpo não perde a sua vitalidade; sua vida, quando o coração para de bater e o cérebro não trabalha. Pelo contrário! Um homem; assim como um livro, se torna imortal, por todos aqueles que puderam se banhar de suas palavras; de seus dias.
Para tanto, meu avô não morreu, esta noite. Ele vive em 11 filhos, mais alguns netos e uns contatos bisnetos. Ele reage, na sua história e nas pessoas que cativou, por este longínquo percurso. E, enquanto houver um ensinamento repassado; enquanto um descendente se honrar de seus paços; enquanto se mantiver, ao menos, a memória, ainda haverá, imortalizado, a história de meu avô.

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