Agora mesmo, por mais lúcido e tranqüilo que venho a escrever-lhes, deixo a ciência exata que vivo um estágio de desconforto e inquietude e esse todo em dever a uma imagem – um cartoon - na qual fui arremessado contra a tela de meu computador. A tal era abstrata, mas passava a figura de um ser humano sendo jogado no lixo orgânico. Ou seja, ao meu entendimento, o ser humano como figura descartável, não aproveitável. É claro, a partir de Rebolation, Happy Rock’s e afins musicais e da cultura contemporânea, até se explicaria, em tese. Todavia, a que ponto representaria a veracidade ou metáfora dessa imagem? O quanto isso pode vir a ser uma crítica social ou um retrato-falado em detalhamento preciso do que vivemos todos os dias?
Certamente, não seria um dizer errôneo, apesar de sarcástico, frisar que, a cada nova ressaca, um novo produto/material/qualquer outra coisa cria título de descartável manipulado por um homem descartável vivendo um mundo descartável. E, certamente, essa foi uma redundância descartável.
Como é instintivo de nossa figura como seres pensantes habitantes de um planeta coberto por setenta por cento de sua extensão por água, - mas chamado de Planeta Terra - somos nada além de tremendos sedentários naturais; almas vivas tomadas por um comodismo incontestável e incontrolável. Sendo assim, tudo se apresenta com maior acessibilidade se não houver necessidade de resgatar, de reciclar; se não for essencial readequar tudo e todos a um ponto de utilidade renovável. Ou seja, tudo é mais fácil se pudermos, simples e banalmente, abrir o cesto de lixo e “puxarmos a descarga” da maioria de nossas responsabilidades. Então, assim, vamos vivendo e, sob o papel, evoluindo – é claro, sob o papel, afinal, tudo é tão lindo quando a tese apresenta-se como registro oficial. E não me refiro apenas a objetos. Claro que não! Hoje mesmo, acredito que seria um grande investimento custo/benefício criar aterros sanitários para depositarmos tanto sentimentos, ideologias e gritos de batalha quanto idosos, recém-nascidos e demais figuras sociais que receberem o carimbo de “inutilizáveis; descartáveis”.
Materiais festivos, materiais escolares, eletrodomésticos, passatempos,... Tudo nada mais é do que um produto formulado e já adaptado a partir de uma determinada vida útil. Depois disso, nenhum outro destinatário que não seja o seu esquecimento integral. Fizemos isso com tudo; com todos. Não carregamos mais remorso por perdermos amigos por futilidades absurdas da mesma forma que não nos permitimos mais o luto. “Morreu algum ente querido? Tranqüilizantes e antidepressivos para toda a família, agora!” Simples assim. O Sofrimento da perda, indispensável para o crescimento, é manipulável e tornou-se uma questão de “querer, ou não”. Mas, por mais crítico que me posicione quanto a tal, eu não anexo culpa a todos ou a qualquer um que o for. Por tristeza interna, sou ciente que somos uma máquina – ou arma – de imensurável instabilidade e sem controle absoluto de nossa “placa mãe”. Assim me refiro aos porões de nossa mente nas quais não temos acesso, mas que nos influenciam diretamente quanto à formação de nossa subjetividade – o inconsciente. Somos tão dotados do saber de nossas responsabilidades e deveres cotidianos e, de forma indireta, atormentados por tal informação que qualquer comodismo apresentado se é processado com uma provocancia apetitosa e nos manipula, acabando por nos consumir. E, assim, criamos conceitos pré-estabelecidos que conciliamos aos outros “poréns” que costumam tirar o nosso sono.

Dessa forma, torna-se tudo - e cada vez mais – fragmento de um mundo descartável. Como se nada mais fosse “pra vida inteira”. E, apesar de ainda nos venderem o amor como o presente mais belo da humanidade, da mesma forma, nos presenteiam com o “vai um, vem oito”. Criando um paradigma engraçado que, se pudesse verbalizar, seria o seguinte: “Você é o meu amor; razão da minha existência, não saberia viver sem ter você. Mas, se por um total acaso, não dermos certo, tudo bem! Há muitos outros peixes no mar, amanhã mesmo eu me perco em uma nova paixão e, essa sim, será pra sempre, eu acho.”
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