
Sim! Cá estou eu! Quem diria, hein? Completando míseras duas décadas de vida e já tomado por histórias atípicas e épicas que, deveras emocionado, contarei aos meus netos futuramente – se o tempo assim me possibilitar. Mas, parece que foi ontem que seguia fazendo artes das mais variáveis, não aceitas e jamais compreendidas pelos arredores da minha pequena cidade natal; Maravilha – Santa Catarina. É, mas o tempo passou e acordo, então, vendo que já não sou mais o mesmo de ontem e, acima de tudo, percebendo o valor que essa mudança carrega consigo.
Primeiramente, vi que, como toda e qualquer pessoa, eu cresci. Assim como errei e cometi pecados pelos quais não guardo orgulho algum, mas, ao mesmo tempo, entreguei-me ao máximo tentando, sobre todas as variáveis e obstáculos, ser eu mesmo. E esse foi meu maior presente. Sim, creio que, devido àlgumas escolhas, perdi pessoas e figuras importantes nesse metafórico caminho que tracei, até o então. Todavia, hoje, vejo que foi por um bom propósito.
Já passei noites em claro, já passei tardes inteiras dormindo. Já fui o sorteado pelo destino a amar intensamente e viver tal sentimento à flor da pele e da alma; já sofri e esbravejei aos quatro cantos de meus quartos e folhas de papel por uma paixão não correspondida. Martirizei sentimentos, esqueci datas importantes, dormir com vontade, acordei arrependido, acordei de ressaca. Já fugi de casa, nem lembro como cheguei; já zerei um trabalho (mais de uma vez), já gabaritei uma avaliação (nem tantas assim). Já esqueci o nome de uma música, já puxei uma do “fundo do baú”; rasguei a garganta em um grito de gol e perdi a voz cantando no chuveiro. Já perdi a esperança no ser humano, como já descobri a verdade dentro de mim. Tudo isso em meus quase vinte anos de existência.
Já senti amor, senti raiva, senti angustias, senti a ironia e o sarcasmo batendo a minha porta apresentando-se como destino. Já senti uma cerveja descendo quadrada, já senti um embrulho no estomago; já vivi um dia como se fosse o último, assim como já desejei que o fosse. Fui um bebê chorão, uma criança insuportável e hiper-ativa; fui um adolescente rebelde, um jovem atormentado e, apesar dos pesares, fui, no meu interior, uma eterna pessoa feliz. E, como se tudo fosse obra de um acaso nada casual, aprendi o valor de um sorriso e de um olhar quando sinceros, de um coração quando determinado, de uma porta quando aberta – uma oportunidade entregue; aprendi que nada sou além do que escrevo e que nada escrevo além do que sou.
E, como Alexandre, o Grande: já almejei intensamente a conquista de todo um mundo; como Dante Alighieri: vivi a maior viagem da minha vida em um sonho louco. Como Don Quixote: fiz de meus objetivos, a razão de minha existência; e, como Sócrates, ao final de sua jornada: vi que muito pouco eu sei.
Destarte, fiz muito mais que uma crônica pode relatar, literal ou metaforicamente. Mas, como o maior dos bens a mim entregues, esse segue como o maior de meus agradecimentos. Que agora o tempo traga consigo a importância de um novo dia e a inutilidade de um dia perdido; que siga trazendo amigos e pessoas das mais incríveis, assim como tem o feito continuamente. E que, avaliando as possibilidades e competências, prossiga me ensinando como amar e ser amado por cada um dos amanheceres que entrarem pela janela.

Vinte já foram! E que venham os quarenta!
Nenhum comentário:
Postar um comentário