Logo no início de minha juventude, me deparei com meu auto-deslumbre ao tomar conhecimento sobre o lançamento do mais novo avanço tecnológico; o revolucionário e incomparável MP3. Realmente, se tratava de um pequeno aparelho de grande utilidade com capacidade de armazenamento de inúmeras faixas musicais. Excelente para ouvir minhas musicas favoritas nos mais diversos fragmentos de meu cotidiano. E, apesar da inutilização de nossos preciosos toca-fitas e walkmans, não deixo de expor que considerei uma genialidade de uma invenção.Logo após surgiu o MP4, com capacidades iguais de seu antecessor e com o aprimoramento de conseguir armazenar e exibir vídeos e imagens. Tudo bem, apesar de assistir vídeos e observamos imagens não ser algo que iremos fazer com tanta freqüência e intensidade tal como faríamos com as musicas, ainda assim se tratava de uma evolução produtiva.
Contudo, por motivos particulares envolvendo estudos pré-vestibulares, me vi congelado nos avanços tecnológicos e – também – mundiais. Estado que me impossibilitava avistar muito longe de meus livros, estudos e meu quarto. E foi por esse mesmo motivo que me presenciei surpreso e abismado ao abrir os olhos e ser apresentado ao MP12. Um aparelho com capacidades de sintonizar televisão, celular, fotos, vídeos, musicas,... Simplificando, uma caríssima futilidade total! E o mais incrível desse aparelho é a sua capacidade de – a partir de uma forte aliança à mídia – mascarar-se de um item essencial em nossas moradias; de criar ilusões em nossas mentes de que estamos parados no tempo sem a própria aquisição de tal brinquedo metido a besta. Da mesma maneira que as pessoas pagam desnecessariamente muito mais por uma câmera digital de 12 mega-pixels, acreditando que – apenas dessa forma – poderão tirar fotos aceitavelmente boas de seus caninos e filhotes para revelar em tamanho original e deixar criando poeira nas paredes de suas casas.
Mas não posso deixar de me incluir nessa espécie influenciada diretamente pela mídia. Também não vejo a hora de ter meu primeiro filho para poder presenteá-lo em sua festa de dez anos com o recém-lançado MP241 equipado com as indispensáveis funções de coçar a orelha, fazer aviõezinhos de papel e transmitir bilhetinhos na sala de aula. Contudo, essa não! Veja que azar eu terei: ao terminar de pagar esse objeto inanimado que já é parte de nossa família, receberemos influencias das psicológicas e famosas Leis de Murph e o mundo nos surpreenderá com o lançamento dele. Sim! O MP242! Esse com o poder de martelar pregos em móveis anexado às suas capacidades supremas. Então, aquele que já era indicado como nossa alma gêmea passa a ser um peso morto no quarto dos fundos da casa.
E mesmo assim, dessa forma nos encontramos. Vivendo o espetacular avanço tecnológico e aceitando – cada vez mais – a regressão de nossa capacidade mental de raciocinar e perceber que estamos agindo como cobaias, vítimas e – por que não? – estúpidos ao confiarmos cegamente a nossa opinião ao mundo alheio que diz que sim, que tudo isso é indispensável.
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