“Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito.” Essa foi a definição que Fernando Pessoa utilizou para designar o modelo que, para si, simbolizava a tão almejada perfeição. Contudo, errado estaríamos se acreditássemos que a perfeição fosse alcançável? Até onde estaríamos dispostos a seguir se fossemos premiados com tal dádiva? E perdoem-me caso esteja agindo de modo insano, entretanto, nossa filosofia pré-maternal de postarmos o perfeito em um pedestal intocável não se materializaria como apenas mais um estorvo entre o homem - carne e ossos - e sua aprimoração? O primordial dever de buscarmos nossa alma gêmea; a pessoa perfeita para nós e nossa aceitação do habitual “ninguém é perfeito” nos posta sobre rodas no declive que simboliza nosso almejo pela vida; leva-nos a cair em parafuso. Em poucas palavras, aceitar o perfeito como inalcançável apenas fortalece demasiadamente o ponto de interrogação da pergunta sobre o real sentido da vida.
Avaliemos, costumam dizer que nem Ele é perfeito. Sendo assim, entreguem-me o significado de perfeito. “Que não possui falhas”? Pois bem, mas então, como tudo tem falhas e, conseqüentemente, nada é perfeito, o perfeito não passa de uma palavra. Isso é tudo, certo? Triste não? E se, por um acaso, hoje fosse descoberto um algo qualquer que apresentasse a perfeição, seria mesmo esse tal visto como o sendo? Afinal, o habitual de nossa existência é que tudo e todos possuem falhas e, havendo algo sem falhas, seria incomum; uma ruptura em nossas escrituras ideológicas; ou seja, uma falha. Portanto, nossa rendição ao “nada é perfeito” seria a exata falha que tornaria o perfeito meramente imperfeito.
De qualquer forma, aqui despejo um projeto de revolução: vamos todos tomar as ruas das capitais e exigir nossos direitos e títulos de seres perfeitos! Vamos erguer a bandeira e defender essa nobre causa que acredita que o perfeito não se trata da figura sem falhas, mas de um todo que busca incansavelmente suprir sua sede por melhoras, sempre visando o além e deixando entregue o melhor de si por seus almejos; por todo aquele que, assim como Don Quixote, fazem de seu objetivo a razão de sua existência!
Assim, levando consigo a idéia de que o perfeito não passa – também – de um mero conjunto de detalhes, vamos todos acordar todos os dias sempre buscando adquirir e aprimorar cada novo detalhe. E então, reformulando continuamente dentro de cada um o conceito de um real significado de perfeição.
Vamos todos dar o nosso melhor e gritar: Eu sou perfeito!
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