quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Crônica - Um Sorriso E O Sorriso




Há algum tempo, encontrei-me focado na maior das belezas do infinito que, diante da fútil valorização que entregamos a alheios, passa despercebida e ignorada em nossos monótonos dias. Eis-me então, apresentando-lhes o mais valioso e raro fragmento de nosso cotidiano. A fiel e inconfundível beleza de um sorriso qualquer. Não exatamente apenas um sorriso qualquer, mas muito mais do que isso, um verdadeiro e único sorriso qualquer; tesouro no qual dificilmente será encontrado nas buscas intermináveis pelos porões de um navio pirata e no final do arco-íris acompanhado de duendes. Sim, um tesouro ainda mais valioso.

Portanto, quantas vezes você recebeu esse inestimável presente no seu dia de hoje e nem ao menos o fotografou para guardá-lo nos arquivos de supremo valor pelos corredores de sua mente? E quantas vezes você destinou um dos seus sorrisos para alguém?
Perdoem-me se eu estiver sobreestimando o mérito de um movimento muscular resultando na exposição de uma carga dentária. Contudo, ouso dizer em alto tom de voz e carregar tal bandeira de modo aguerrido ao alegar que não vejo nada mais sincero que a inocência metafórica de confundir o incalculável poder de iluminação solar com o mais breve e tímido sorriso e nada mais belo que unificar o propósito de uma vida finita à eterna incógnita de uma felicidade ingênua.

Entretanto, vivemos as conseqüências de uma raça com sede de evolução que não calcula medidas e sacrifícios para o propósito de irremissível nascimento obsoleto – tal qual se encaixa e generaliza as chamadas evoluções. Em troca, o valor dos poderosos sorrisos vai se encaminhando às obscuras florestas da solidão e lá são deixados como se de nada fossem capazes. E, provavelmente, lá morreriam desconhecidos e desvalorizados caso não fosse à atitude devastadora de outro agente; o misterioso, temido e sedutor amor. Um guerreiro que enfrenta guerras sem armas, tampouco armaduras. Que age integralmente de modo franco.
E, assim - e somente assim - a “cotação” dos sorrisos é elevada ao cume de nossa existência. Entregando-nos de braços abertos o usufruto completo da felicidade de receber e entregar sorrisos; deixando-os como maior herança de nossas vidas. Para que, então, possamos ignorar tudo que se deve ser ignorado, toda a complexidade de uma vida sem sentido e nos agarrarmos com todas as forças na simples e eterna forma de amar, sorrindo. Um valor que jamais deixará de ser protagonista de incontáveis sonetos pela história e que jamais vai se tornar algo agressivo, algo obsoleto e – digo de passagem – jamais sairá de moda.

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