quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Poesia - Permita-me essa ultima chance


Senhor do céu, meu grande superior;
Permita-me seguir em terras inimigas;
Eu ainda tenho muito a escrever;
Ainda tenho muito a mostrar;
Aos meus inimigos.

Permita-me fazer parte do ultimo sacrifício;
Eu quero entender o que significa dar a vida por alguém;
Eu ainda tenho muito a aprender;
Coisas que em minha terra não terei respostas.

Permita-me uma ultima chance;
Para se tornar festa para meus inimigos;
Permita que eu chore, pela ultima vez;
Permita que, pela ultima vez;
Derramem meu sangue.

Eu, apenas, ainda desejo seguir pelo caminho;
Que a mim é proibido;
Quero, mais uma vez, ser pego com uma rosa;
A filha mais jovem do mestre dos meus inimigos.

Permita que eu veja, mais uma vez, a flecha em meu peito;
Permita-me sentir a ira de meus amigos;
Ainda quero blefar com minhas tolas palavras;
Quero, mais uma vez, ser odiado.

Desejo apenas concretizar o sonho de morrer;
Como meu ser realmente quer;
Então, me permita ter alucinações com o sofrimento;
Permita-me essa ultima chance;
Permita-me morrer pela ultima vez.

Poesia - A lápide de um anjo

Pai, hoje a sociedade perdeu seu filho,
Pré-direcionada ao saber,
Eu nada consegui entender.
O medo e a dor tomaram conta desse feto morto,
Sinto muito,
Eu não posso mais lutar contra isso.

Implantado no ventre da mãe de todos os homens
Eu desenvolvi meu sistema nervoso.
Contudo, há muito, eu deixei de receber sustento,
Cada nutriente para manter viva a esperança.

Portanto, gerado em estado catatônico
E nascido semimorto,
Eu fui jogado ao terror
E enterrado com um inotável fio de vida.

Hoje, minha morte prematura
É sinalizada pela estátua de um anjo,
Uma figura perfeita de meu objetivo.

“Aqui jaz uma criança com asas
E coração dilaceradoPortadora de uma alma em preto e branco”.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Crônica - A Complexidade Da Mesa De Um Bar


Usufruindo de um texto para propagar minha ênfase particular dada a potencialidade de um bêbado, encontro um julgamento injusto dado a um conceito pré-estabelecido aos seres de maior complexos e sensibilidades existentes; vulgo, os bêbados.



Talvez por não encontrarem-se sobre o domínio restringível de alguns sentimentos e mecanismos de defesa, ou por seu instinto compulsivo viver um momento de delírios em escalas demasiadas, não há nada mais esclarecido que a visão e nada mais sincero e inocente que os propósitos e observações de um ébrio em seu habitat natural. Devo admitir e – inevitavelmente – concordando que, no decorrer de um diálogo, possam vir a surgir surpresas das mais diversas. Desde o recente desvio da realidade de um grande amor até a ideologia vulga e primitiva de cada representante dos setores da Casa Branca.



E, assim, na experiência vivida sem precedentes baixo conceituosos diante de tal fragmento noturno, é que se inicia um belíssimo de um questionamento: Por que o meu time de futebol ainda mantém um técnico medíocre e por que nossos representantes políticos estão lá? Francamente, o balcão de um bar qualquer é uma mina de ouro! É onde qualquer um encontra o que, realmente, procura de melhor; um jardim do paraíso no qual corrupção, desonestidade e os demais libertados da mitológica Caixa de Pandora são impenetráveis e os valores pessoais prevalecem.



Raciocinando, seria bom mesmo se pudéssemos todos viver a sensatez de um bêbado. Claro, eliminando a existência irremissível da ressaca, da distorção excessiva do vocabulário, do descontrole motor e do esforço ao expelir pela boca o que estava no estômago. Mas, com tais condições, nada melhor seria o mundo do que a dominância ébria! Seres que não conseguem mentir, que expõe suas emoções abertamente e que encontram no ombro do amigo a resolução de missões impossíveis que nem mesmo Tom Cruise está hábil a resolver. Para que, dessa forma, se me permitem expor essa visão lunática e irregular, haja o nascimento de uma verdadeira evolução em nossa espécie e para que os valores sejam reavaliados seguindo um novo rumo com o merecedor enfoque ao próximo, não a uma melhor luxúria particular.



Afinal, não é o que dizem? Que é impossível fazer amigos tomando leite? Pois bem, e o que há de mais importante em nossa vida do que os amigos? Por tais, bebamos dos frutos alcoólicos da vida – de modo literal e/ou metafórico – e deixemos voarem livres pelos cantos dos bares e esquinas as mais diversas e sombrias fobias e ideologias que carregamos ao longo de nossa existência, mesmo que isso signifique mudar o que acreditava ser ideal e preciso e mesmo que isso nos leve a possíveis discórdias.


Portanto, ergamos agora nossas taças de champanhe e nossos copinhos de pinga com mel e enfatizemos um “viva” aos bêbados, porque talvez neles mantenha-se viva ainda um pouco de lucidez.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Crônica - Quem são os loucos?



Talvez eu seja taxado de louco por escrever isso, talvez eu realmente seja um louco. Mas e se todos nós somos, realmente, loucos?



Em meus primeiros delírios adolescentes eu me perguntava se eu vivia o mesmo mundo da maioria das pessoas. Com o auxilio de mentes adolescentes tão perturbadas quanto a minha e noites em claro, acabei me aprofundando nesse pensamento e cheguei a conclusões nada conclusivas: Talvez eu seja meramente um louco dentre pessoas normais e então minha loucura me faz cegamente crer que eu realmente sou um ser humano tão normal quanto um aluno/jogador de futebol dos romances americanos.



Quando conversei com algumas pessoas sobre essa ideologia, muitas delas concordaram comigo e adicionaram pensamentos similares à minha tese. Uma me falou que talvez possamos estar vivendo um grande sonho em que a morte, na verdade, seria o nosso despertar; outra disse que nossa vida talvez seja algo como a história do filme Matrix e outra disse que talvez sejamos peças de um imenso tabuleiro de xadrez (esse, sinceramente, eu considero um pouco menos provável, mas quem sabe?).



Leonardo Da Vinci, Santos Dumont, Thomas Edison, Albert Einstein... Diga-me, atualmente, esses nomes e eu responderei que são heróis, homens que contribuíram para uma total mudança social para os dias atuais. Contudo, certamente foram vistos muitas vezes como bruxos, loucos, adoradores do demônio entre outros adjetivos nada agradáveis por membros de sua geração. Quantos aos loucos de hoje? Não serão eles, possivelmente, futuros revolucionários evolutivos tratando-se de soluções urgentes para uma melhora incalculável do mundo atual? Não serão esses loucos, pessoas normais vivendo rodeadas de loucos com capacidade de exilá-las e impedí-las de abrir os olhos da humanidade? Ou, simplesmente, um integrante do mundo real no qual estamos ainda “adormecidos”?



Quando ao seu possível pensamento atual, sugiro que pense duas vezes antes de me chamar de louco. E se você for o louco? Já parou para pensar que eu possa ser somente um personagem da sua mente criativa em um mundo onde só você vive ou que eu possa ser um normal dentre bilhões de loucos?



Então, um delírio pessimista: assim como a extensão do universo, a origem da vida e o significado real do amor, tudo que posso fazer é fechar os olhos e crer em algo “normal”, mesmo que isso se trate de acreditar que nascemos do barro soprado por um ser divino, ou me aprofundar cada segundo mais nos corredores empoeirados de minha mente e viajar por um mundo talvez louco, talvez normal. Onde talvez eu possa encontrar as respostas básicas: De onde venho? O que sou? Para onde vou?



A você, leitor, espero não ter confundido muito pensamentos, até então, concretos. Sinceramente, nem sei se devo me desculpar, talvez eu seja um louco e eu nem tenha escrito tais absurdos, ou talvez eu seja um personagem estranho e confuso do seu conto de fadas/ficção científica particular.



Portanto, sugiro um brinde a nós, loucos ou normais. Mesmo que estejamos brindando sozinhos, ainda assim estaremos vivendo e aproveitando a imortal e deliciosa incógnita de sermos, ou não, loucos!

Crônica - A Arte de Escrever

Ao contrário do sentimento marido/mulher, escrever se trata de uma paixão que jamais dará espaço para o amor; o anelo de escrever uma poesia, um conto, um livro se firma no fogo eterno de um metafórico namoro novo. Ou seja, o sentimento pela arte da escrita se materializa como um espiritual prazer quase “orgásmico” que nunca se extingue, diferente à paixão entre humanos que se ameniza no decorrer de um ano a dois e se conserva através de conquistas materiais, casamento, filhos,... Assim, passando a se chamar amor.


Escrever é um dom, uma benção. Pode ser comparado também a uma droga que após as primeiras experiências, você se torna dependente. Mas, discriminando algumas horas a menos de sono e os constantes momentos de pouca lucidez de delírios concentrados, escrever não apresenta grandes efeitos colaterais.


Escrever é, meramente, uma maneira consciente de sonhar. Uma via de acesso a um mundo paralelo povoado por anjos e dragões, lágrimas e sorrisos e cães e árvores falantes. É viver um mundo que ninguém jamais viveu, embriagar-se de um vinho proibido em um cálice de ouro, se tornar o seu próprio eu em versões tão almejadas e, até então, inalcançáveis e poder salvar a princesa de seus sonhos milhares e milhares de vezes, cada vez com uma pitada adicional de emoção e confrontos épicos. O mundo das palavras é, simplesmente, o lugar perfeito de aconchego e sonhos realizados que Manuel Bandeira titulou “Pasárgada”. Mas não se trata de ser, ou não, amigo do rei, de ter qualquer mulher na cama que desejar. Esse mundo perfeito – ou Pasárgada, se preferir – é algo que vai além da minha medíocre explicação através de experiências vividas; é um lugar que até mesmo a mais solitária e tímida das almas pode ser a dona de seu próprio conto de fadas. Basta abrir a mente e deixar-se levar pelas palavras, tirar suas próprias interpretações, seguir o fluxo de seus momentos fragmentados de fantasias, mesmo que irracionais, e, se assim desejar, mudar tudo! Podendo, então, servir a cabeça de Salomé em uma bandeja de prata para João Batista.


E mesmo que seja apenas um filme processado pelas salas de sua mente, mentindo estará aquele que alegar que seu conto de fadas não passa, definitivamente, de um conto de fadas. Afinal, para o autor de uma ficção, um conto de fadas jamais será apenas tal. Tudo que é escrito, – e quando digo tudo, uso no sentido literal do significado – é mais um relato da biografia de um escritor.

Então, mesmo que o mais improvável e extravagante se torne parte de um cotidiano pertencente à normalidade, foi algo uma vez escrito por um homem, logo, um fato presenciado e vivido por um homem.


Destarte, a arte de escrever se trata de um movimento que corre paralelamente com a arte de viver. E se houvesse possibilidade de passar um pedido para o mundo dos escritores e leigos, seria que deixassem suas palavras voares livres por seu universo particular de sonhos e realidades, ao mesmo que ele venha a se chamar “esquecimento”.