Ainda assim, como se o mundo fosse um quadro impressionista, em
meio a débil negritude, fui sublimado – surpreendido – por fragmentos de uma
eternidade, E era, somente, início de ano. E foi, simplesmente, a primeira
visão. E foi, peculiarmente, tão belo. E preciso. E autêntico. Tanto que não
tardou para que o céu sorrisse, em um brilho rubro/alaranjado de algodão doce.
Imprevisível que sou – um impulsivo abismal; um romancista
irremissível – fui levado pelos encantos daqueles sorrisos tão leves e, quando
dei por mim, a metáfora se fez matéria e meu corpo emergiu em um oceano cálido
e cativante. E, para tanto, já não havia mais resistência em minha entrega, uma
vez que destronei uma barricada de restos sociais a cada transição entre o
vazio do fundo das águas salgadas e a emergência para um mundo novo. Era novo
ano, De novos sonhos. De novas paixões. E de novos encantos.
Destarte, talvez, esta verbalização plebéia tenha habilidade para
caracterizar boa parte dos meus sete pedidos, para a superstição popular de
pular as sete ondinhas. Mas, desta sorte, senti-me em ainda maior plenitude,
quando quebrei com a regra geral das simpatias e ratifiquei meu anelo por
aquela que, dos abraços que trazia comigo, tantos eram dela, mas nunca havia
entregue.
Já encharcado, em uma quebra de instante em que a noite começava a
dar lugar ao dia, percebi-me tão ligado àquele canto – naquele encanto – que a Iris
de seus olhos se aventurava nos meus, fazendo parte de mês medos e segredos; dores
e amores. Uma curta fissura de vida tão densa – e intensa – que fundiu tempo e
espaço. E fez desta madrugada impar. E metamorfoseou o impreciso em único. E
fez o mundo parar. E tornou divino cada abraço. E imortalizou cada sorriso.
Por fim, quando o sol assumiu seu trono de astro-rei, o mesmo emanou
um brilho tão intenso e envolvente, tal qual as poesias que aquelas horas
escreviam, sem palavra alguma. E, naquele amanhecer, a fotografia se fez tão
linda que gosto de acreditar que a mesma prestava uma solene – e emocionada –
homenagem àqueles momentos inesquecíveis. E, ainda mais, carrego a ciência de
aquele nascer do sol ser, meramente, mais um, mas que recebeu a película de
fascinantes – e encantadores – companhia que o fez memorável.
Tanto que, ainda que lhe déssemos as costas, aquele primeiro de
ano sabia que fizera morada em mim, Por horas que a metáfora se fez matéria;
pedidos se cumpriram; mágicos fracos faciais se delinearam; um desencontro deu
vida a um sonho e um instante se fez eterno. Por um sol que aprendeu a sorrir.
Por cada companhia feita – e perfeita. Por um ano que estava por vir.
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