sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Feliz Ano Novo!

Era primeiro de ano. A noite abafada se mostrava sincera. Todavia, naquele meu andar errante, persistia a incerteza. Era meados da madrugada e, por onde quer que dirigisse minha visão, não poderia encontrar um resquício, sequer, de precisão; de um calor acolhedor.
Ainda assim, como se o mundo fosse um quadro impressionista, em meio a débil negritude, fui sublimado – surpreendido – por fragmentos de uma eternidade, E era, somente, início de ano. E foi, simplesmente, a primeira visão. E foi, peculiarmente, tão belo. E preciso. E autêntico. Tanto que não tardou para que o céu sorrisse, em um brilho rubro/alaranjado de algodão doce.
Imprevisível que sou – um impulsivo abismal; um romancista irremissível – fui levado pelos encantos daqueles sorrisos tão leves e, quando dei por mim, a metáfora se fez matéria e meu corpo emergiu em um oceano cálido e cativante. E, para tanto, já não havia mais resistência em minha entrega, uma vez que destronei uma barricada de restos sociais a cada transição entre o vazio do fundo das águas salgadas e a emergência para um mundo novo. Era novo ano, De novos sonhos. De novas paixões. E de novos encantos.
Destarte, talvez, esta verbalização plebéia tenha habilidade para caracterizar boa parte dos meus sete pedidos, para a superstição popular de pular as sete ondinhas. Mas, desta sorte, senti-me em ainda maior plenitude, quando quebrei com a regra geral das simpatias e ratifiquei meu anelo por aquela que, dos abraços que trazia comigo, tantos eram dela, mas nunca havia entregue.
Já encharcado, em uma quebra de instante em que a noite começava a dar lugar ao dia, percebi-me tão ligado àquele canto – naquele encanto – que a Iris de seus olhos se aventurava nos meus, fazendo parte de mês medos e segredos; dores e amores. Uma curta fissura de vida tão densa – e intensa – que fundiu tempo e espaço. E fez desta madrugada impar. E metamorfoseou o impreciso em único. E fez o mundo parar. E tornou divino cada abraço. E imortalizou cada sorriso.
Por fim, quando o sol assumiu seu trono de astro-rei, o mesmo emanou um brilho tão intenso e envolvente, tal qual as poesias que aquelas horas escreviam, sem palavra alguma. E, naquele amanhecer, a fotografia se fez tão linda que gosto de acreditar que a mesma prestava uma solene – e emocionada – homenagem àqueles momentos inesquecíveis. E, ainda mais, carrego a ciência de aquele nascer do sol ser, meramente, mais um, mas que recebeu a película de fascinantes – e encantadores – companhia que o fez memorável.

Tanto que, ainda que lhe déssemos as costas, aquele primeiro de ano sabia que fizera morada em mim, Por horas que a metáfora se fez matéria; pedidos se cumpriram; mágicos fracos faciais se delinearam; um desencontro deu vida a um sonho e um instante se fez eterno. Por um sol que aprendeu a sorrir. Por cada companhia feita – e perfeita. Por um ano que estava por vir.

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