sábado, 7 de maio de 2011

Já que eu fui teu herói; teu bandido.


Bom dia, minha mãe! Hoje, eu parei por alguns instantes. Não porque havia um sinal vermelho, ou um muro negro; mas porque havia uma página em branco. Hoje, eu percebi, incrédulo: abismo; que injúria! É o seu dia, mas o maior presente, sempre foi meu.

Hoje, mãe, eu tenho segredos para relevar: eu sinto muito, mas aquelas minhas economias; aquelas tão esperadas, que lhe enchiam de orgulho e lhe fazia espalhar para todos os visinhos, eu gastei tudo em bala. Eu nunca fui o craque do time e nem o protagonista das peças de teatro; só para você.

Mesmo assim, você foi meu mundo real e minha fantasia; foi meu grilo falante, o meu gênio da lâmpada e minha princesa encantada. E, do manifesto de nosso cotidiano, silencioso e preciso como um caçador, eu sorvi em liberdade do impulso de estrelar momentos extraordinários, derrotei dragões e salvei reinados. Fui o maior conquistador do mundo; só para você.

Seus defeitos, mãe, foram inspirações para minhas obras, rabiscadas e reescritas e, mesmo que eu jamais pudesse admitir, eu agi às margens de suas palavras, namorando seus sermões e apaixonando-me, louco e de inocência franca, pelas histórias que me contava para dormir. Ainda lembro-me de Ali-Babá e um ladrão, dois ladrões, três ladrões,... Até que eu adormecia, mesmo que a tormenta de meus pensamentos me tomasse, naquele momento; mesmo que os amores não resolvidos, notas ruins e machucados expostos estivessem no estopim de sua ardência, eu ficava tranqüilo. O meu maior guardião estava ao meu lado.

Você, mãe, é culpada pelo meu gênio forte e interesse pela arte; sempre soube do meu desejo por compactar simetricamente meus acordes, entrando em acordo, antes que o tempo me acorde. Acontece que não há protagonistas; não há história sequer, se eu for rever os versos de mim sem você. E, por mais que a melodia siga encantando o compasso de corações entregues e eu desejar todas as rosas do mundo, eu ainda sou... Só para você.

Um comentário:

  1. Deixemos , hoje, a arrogância de lado, e admitamos que, a rosa solitária de nosso mundo, como na obra "O pequeno Príncipe", tenha razão.
    É mister que saibamos que as flores murcham e as folhas caem no outono. Aliás, talves o dia das mães seja no outono, por que, quando tudo morre, devemos lembrar daquela que por nós também ofereceria a vida...Aquela que nos deu a vida...
    É o dia das mães, estrategicamente posto no outono, para que saibamos que, quando tudo está perdido, temos um ombro amigo, um jardim secreto, um amor eterno para que elnacemo-nos e deleitemo-nos...

    ResponderExcluir