As poltronas, mesmas que, um dia, foram trono para a salva avassaladora de palmas, cediam o tecido aos vermes e já cheiravam a mofo. Tais quais as cortinas que, ao foco dos spots, deixavam transparecer os sorrisos e lágrimas – gargalhadas e prantos – de um homem, não de um personagem; elas estavam encharcadas pelo galope de um turbilhão de injurias sem precedentes; sem pretensões. Mas, ainda assim, não questionei meus passos e subi ao palco, mais uma vez, para interpretar a mim mesmo, ainda que não houvesse sequer um companheiro presente. O silêncio seria minha testemunha e tomaria frente nos aplausos ensurdecedores. Daí que, então, um afável assombro:
Todos; cada um deles. Intactos.
Aos poucos, foram saindo da segurança solitária e abafada das coxias e se apresentando; alguns, tímidos com minha presença inusitada e, outros, incrédulos com meu regresso turvo. Pois que, então, dentre eles, o personagem de um coração partido que subsisti às longas primaveras pretéritas.
Em passos cansados e sob o desdouro de um olhar, ele procedeu à minha presença. Tocou-me o ombro, apertando-o sem muita força, mas abalando a melodia daquela serenata com um sorriso. E eu o vi, pela primeira de tantas outras vezes, ébrio da formosura genuína, ao casco de um velho bem trabalhado pelo ponteiro do relógio e arquitetado sobre incorpóreos alicerces de sabedoria. E eu devolvi o sorriso ao qual me presenteou.
Ele sentou-se ao meu lado ao dito:
- É bom revê-lo.
Deixei a ausência de qualquer ruído tomar forma de meu revide. Eu estava, tão pleno e sincero, grato por sorver, novamente, da comparência daquele. Destarte, foi do mesmo sossego que a ternura se fez alma; o trono que se erguia nas obras de arte daquele palco sem atores e sem personagens. E, destes, avistei a magnificência das paredes já corroias e das taboas apodrecidas do palco, ao exato mesmo instante que deslumbrei o meu personagem em um contemplo acanhado e ingênuo do outro lado do espelho; vetusto como só nós conseguiríamos protagonizar.
- Tudo continua lindo, não é?
E ele sorriu, devolvendo-me aquele que o presenteava.
Se você me pedisse para dizer o que achei desse post, em apenas uma palavra, eu diria: PLAUSÍVEL (merecedor de aplausos). ;D
ResponderExcluirOii boa tarde obrigado pelo carinho
ResponderExcluirSubimos ao palco todo dia ,pois é assim a vida ,as vezes cheia de holofotes e por outras nem as moscas estão la pra apreciar nossa dor e felicidade tão sincera!
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