
É inicio da noite de um sábado em que os termômetros não anunciam mais que dez graus centigrados na serra, à paisagem de um luar divino e grandioso se entregando aos olhos dos desiguais, mas em plena igualdade, então, e, em decorrência, a chegada da noiva à Igreja São Pelegrino com seu olhar manhoso; predisposto à continência da maquiagem e suas vestes justas e brancas para expor contraste à sua pele morena de movimentos simétricos e contidos, mantendo-se ao trono de sua majestade espiritual. É essa a paisagem, em abstração e/ou materialidade, de minha nova obra que me soa, ingenuamente, como uma suave poesia. Sem uma melodia nítida, tampouco uma musa inspiradora em quadro concreto para espelhar. Apenas a sedução natural e simplória que argumenta metáforas ao transmutar a poluição mundana na maestria de acordes abençoando um coração que, outrora, há não muito, servia-me de angustia e perdição.
Foi de meu agrado e surpresa quando o silêncio trouxe, com bom grado e felicidade, o anexo de pensar-te e, a suprir deste vício, assassinar mais uma das páginas em branco. Decidi dedicar meus primeiros ainda medíocres versos a ti.
Não sei seu paradeiro, mas é dessa incerteza que quero seguir, constante e absoluto, sem hesitar por um instante, sequer, à tua procura. Não me intimida, sobre ameaça alguma do destino, que as trilhas sejam-me árduas; espero que, realmente, assim o seja. Pois, quando compartilhar do foco de meu olhar à imensidão de teu sorriso – este já, então, indispensável, quero que o luar seja, igualmente, tão esplendido e onipresente quando o de hoje. Ele será, assim, a testemunha mais sincera a compartilhar dos laços que entregaremos, ao toque da união do que há de melhor em nós, para a arte dos escribas ser esculpida às novas muitas páginas que o tempo nos presenteará.
Viverei, agora, da poesia. Pois, afinal, tudo que, na vida, eu quero, é um balanço no parque e uma obra de arte; um livro e um café. Nada mais, então, tão belo, sincero e pulsante que o sorriso de uma musa inspiradora, aquela que, ainda, não materializei à minha entrega.
Gozo do gosto amargo gole do café, do vento no balanço, das lágrimas frente à pintura, da lua tão esplêndida e grandiosa tomando o céu – junto ao véu da noiva, e, à última página do livro, escrevo-te uma carta de amor que, talvez, jamais terei coragem de entregar. Mas que, ainda assim, salientarei a todas as estrelas, por todas minhas noites em claro, que foi a ti que escrevi.
Ameeiii!
ResponderExcluirSem mais palavras!
Oie.
ResponderExcluirComo uma ávida leitora de crônicas e poesias, uma amiga, no caso sua tia Ze, me indicou que lesse este texto seu..
E sem mais, achei maravilhoso..
Sucesso e continue escrevendo, pois virei com certeza prestigiá-lo.
Abraços. Pitty Silveira
O assombro milenar é trazido a lume numa poesia singela. No exato momento em que dou cabo do meu cappuccino amargo, medito sobre as poesias que ficam ocultas nas poesias que são expostas.
ResponderExcluirAs palavras são como prostitutas e, por isso, eu as amo! Imagino-me, como seria viver em uma monogamia literária. Imagino-me esposado eternamente a um único livro, a uma única poesia.
É mister que saibamos que a vida da voltas. É mister que saibamos que o balanço faz sempre o mesmo movimento: sempre vai, e sempre volta. É mister que saibamos que os antigos previam o futuro na borra do café, contudo, a única coisa que de fato viam, era a borra do café. De resto, aqueles que acreditavam que o futuro pode ser previsto, acabavam por construir o que outrora fora idealizado – inventado –, na borra do café.
Falta-me hoje alguma inspiração, falta-me hoje um pedaço do corpo. Falta-me hoje um pedaço do dia. Falta-me hoje um raiar do sol. Falta-me hoje um resquício de esperança. Falta-me hoje a real solidão.
A solidão é demasiado complexa, uma vez que vai além das companhias humanas. Hoje me posto sozinho, não tenho comigo nenhuma companhia em corpo presente. Contudo, meus pensamentos variam em lembranças que eu deveria extinguir. Minha memória oferta-me uma taça de fracasso, amargo, como o café que agora degusto.
Sei que os balanços do parque tornarão, mas as crianças que lá irão brincar, não serão as mesmas. Cada inda e vinda do balanço, leva uma criança e traz de volta um adulto, o balanço leva um sonho e traz uma desilusão. Quem sabe meus filhos brinquem no balanço. Quem sabe desabroche uma flor naquele parque.
Aliás, o parque sempre estará lá. Mesmo que na minha memória, mesmo que na memória do poeta ou, quem sabe, na memória das crianças que lá brincaram.
Adoro passar por aqui pra ler seus belos textos. Esse meu namorado escreve muito bem. *-*
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